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Nyusi apela à união do país e MDM confirma candidato

Victor Carvalho

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceiro maior partido no país, acaba de confirmar Daviz Simango como candidato à Presidência da República e cabeça de lista nas eleições de 15 de Outubro.

Filipe Nyusi concorre a um novo mandato
Fotografia: DR

Tratou-se de dar formalmente cumprimento por parte do Conselho Nacional e da Comissão Política Nacional à decisão anteriormente tomada pelo congresso do partido, realizado há dois anos.
O Conselho Nacional e a Comissão Política Nacional do MDM, reunidos na cidade da Beira, aprovaram ainda o manifesto eleitoral e analisaram os efeitos dos ciclones Idai e Kenneth, que atingiram o centro e norte do país entre Março e Abril deste ano.
Daviz Simango, o cabeça de lista confirmado, é um autarca da Beira desde 2003 e será a terceira vez que se vai candidatar à Presidência da República, depois de ter ido a votos em 2009 e 2014.
O actual Presidente da República, Filipe Nyusi, foi confirmado há duas semanas pelo seu partido, a Frelimo, como candidato a um novo mandato nas eleições de 15 de Outubro.
Num comício de pré-campanha realizado no fim-de-semana, o Presidente Filipe Nyusi apelou à unidade do país para a conquista de uma paz definitiva, assinalando que as divergências partidárias não devem colocar em perigo a estabilidade nacional.
“Quero pedir, mais uma vez, para continuarmos todos unidos e não permitirmos mais nenhuma guerra no país”, declarou Filipe Nyusi num comício realizado no Distrito de Funhalouro, província de Inhambane.
O Governo moçambicano e a Renamo, principal partido da oposição, estão em negociações para colocar fim a ciclos de violência militar entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado do principal partido da oposição.
A Assembleia da República já aprovou uma série de leis sobre a descentralização do país, satisfazendo as exigências da Renamo, mas as duas partes ainda não chegaram a um acordo sobre o desarmamento, desmobilização e reintegração do braço armado do principal partido da oposição.

 

Prosseguem negociações das dívidas ocultas

O ministro moçambicano da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, disse recentemente no Parlamento que o desfecho das negociações do Estado com os credores das dívidas ocultas vai permitir ao país ficar “de bem com o mundo”.
“Estamos atentos a tudo o que acontece e estamos seguros de que a situação vai melhorar. Vamos ter um desfecho que nos permita estar bem com o mundo” e aceder “ao mercado internacional, porque Moçambique merece ter esses fundos, beneficiando também o sector privado”, disse, de acordo com a imprensa local.
Esta declaração surge depois de, em Abril, o Governo se ter pronunciado sobre uma terceira parcela dos 2 mil milhões de dólares de dívidas ocultas, anunciando um acordo de princípio com o banco russo VTB para reestruturar a dívida de 535 milhões de dólares à empresa pública MAM.
Antes, em Novembro de 2018, já tinha revelado um entendimento com a maioria dos portadores de títulos da Ematum (727 milhões de dólares) e em Fevereiro abriu um processo judicial, em Londres, para anular o que resta da dívida da Proindicus (cerca de 600 milhões de dólares) contraída junto do Credit Suisse - cujos ex-banqueiros foram entretanto detidos.
Ematum, Proindicus e MAM são as três empresas que estão no centro da investigação por corrupção lançada pela Justiça norte-americana seguida de várias detenções, desde o início do ano, incluindo a de um filho e outras figuras próximas do ex-Presidente Armando Guebuza.
O ex-ministro das Finanças, Manuel Chang, que entre 2013 e 2014 sancionou as dívidas à revelia do Parlamento e de parceiros internacionais, está detido desde Dezembro na África do Sul a aguardar por uma decisão face a pedidos de extradição apresentados por Moçambique e pelos EUA, sendo que o processo em Nova Iorque aguarda também pela extradição de ex-banqueiros do Credit Suisse, detidos no Reino Unido.

 

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