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Nyusi formaliza candidatura para as eleições de Outubro

Victor Carvalho

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, formalizou na quinta-feira ao final do dia, junto do Conselho Constitucional, a sua candidatura para um segundo mandato como cabeça-de-lista da Frelimo, tendo em vista as eleições aprazadas para o dia 15 de Outubro.

Presidente moçambicano, Filipe Nyusi
Fotografia: DR

A formalização da candidatura por parte de Filipe Nyusi foi feita pelo próprio, que na ocasião estava acompanhado pelo secretário-geral do partido, Roque Silva, e pela mandatária da candidatura, Verónica Macamo.
Filipe Jacinto Nyusi foi a primeira personalidade a formalizar a candidatura, tendo a Renamo já dito que o seu líder, Ossufo Momade, também vai concorrer à Presidência da República, enquanto o terceiro maior partido, o MDM também já anunciou que vai candidatar o seu líder, Daviz Simango.
“A luta renhida contra a corrupção e todo o tipo de males que dificultam o crescimento de Moçambique vai continuar. Não temos outra hipótese”, disse na apresentação da candidatura e numa altura em que o seu partido está a braços com o caso das dívidas ocultas do Estado, um dos maiores escândalos de corrupção de sempre no país.
Em causa, estão empréstimos de 2,2 mil milhões de dólares avaliados por garantias soberanas emitidas ilegalmente pelo anterior Governo, liderado pelo Presidente Armando Guebuza e que já levaram à detenção de dezenas de pessoas em vários pontos do globo, entre banqueiros do Credit Suisse, o ex-ministro das Finanças, Manuel Chang, e figuras próximas do ex-Chefe de Estado.
Na primeira e única entrevista do seu mandato, há três semanas, Filipe Nyusi escusou-se a esclarecer se recebeu parte do dinheiro (na altura era ministro da Defesa), alegando não querer “embaraçar o processo que está a correr a nível da Justiça.”

Críticas ao recenseamento

Caifadine Manasse, porta-voz da Frelimo, partido no poder em Moçambique, considerou em declarações à imprensa local que as críticas ao processo de recenseamento eleitoral que têm sido feitas por parte de organizações ligadas à oposição são “falácias normais e habituais destinadas a disfarçar um previsível fracasso” nas urnas, sublinhando que tudo isso faz “parte da construção de uma democracia.”
O recenseamento para as eleições gerais de 15 de Outubro terminou no dia 30 de Maio, com os números a dizerem que só foram registados 73 por cento do total de eleitores previstos depois de o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) ter fixado como meta o registo de sete milhões de eleitores, numa operação que iniciou a 15 de Abril.
A Acção Desenvolvimento e Sociedade (ADS), organização da sociedade civil moçambicana habitualmente conotada com a oposição, acusou ontem o STAE de “manipulação” ao excluir cerca de 700 mil eleitores nas regiões onde a Frelimo obtém habitualmente maus resultados eleitorais.
Por outro lado, a mesma ADS afirmou que o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral aumentou mais de 400 mil eleitores fora da previsão real na província de Gaza, Sul do país, que sempre deu a vitória ao partido Frelimo.
Também numa avaliação ao processo de recenseamento, o Instituto Eleitoral da África Austral, da sociedade civil, defendeu a realização de uma auditoria ao registo eleitoral, assinalando que a operação foi marcada por “várias irregularidades.”
As eleições estão agendadas para 15 de Outubro, marcando assim o fim do ciclo eleitoral 2018/2019, que começou com a realização das autárquicas a 10 de Outubro do ano passado.
Esta semana, o presidente do Conselho Constitucional (CC) de Moçambique apresentou o seu pedido de demissão, apenas dois dias depois da decisão daquele órgão considerar ilegais não só os empréstimos à empresa Ematum, como também as garantias soberanas dadas pelo Estado.
Numa conferência de imprensa realizada em Maputo, Hermenegildo Gamito garantiu que a sua saída não está ligada àquela decisão do CC, mas não deixa de ser surpreendente a coincidência dos dois factos.
“Não pode haver nenhuma ligação entre uma coisa e outra. Dentro de pouco tempo, completo 75 anos e não gostava de continuar no cargo com essa idade. Saí no momento que decidi sair”, disse ele sem afastar a especulação de que uma coisa teve a ver com a outra e que mais uma vez o caso das dívidas ocultas continua a estar no centro da polémica.

 

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