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OMS decreta estado de emergência na RDC devido ao Ébola

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou ontem o estado de Emergência Internacional na República Democrática do Congo (RDC) depois da reunião do Comité de Emergência para avaliar a evolução da epidemia do Ébola.

Segundo a OMS o risco de a epidemia continuar a espalhar-se na RDC e na região “permanece muito alto”
Fotografia: DR

A notícia foi divulgada através da conta de Twitter da organização e aponta as preocupações com a expansão geográfica da doença como fundamento para esta decisão. “É altura de a comunidade internacional se solidarizar com o povo da RDC, não de impor medidas punitivas e restrições contraproducentes que só servirão para isolar” o país, afirmou Tedros, após a reunião do Comité de Emergência na qual foi declarada a Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPI).

O responsável da OMS elogiou a “transparência excepcional” do Governo congolês na partilha de informação diariamente, sublinhando que as autoridades da RDC estão “a fazer tudo o que podem” e que “precisam do apoio da comunidade internacional”, inclusivamente a nível financeiro, sob pena de fragilizar a resposta ao vírus.

Tedros acrescentou que as restrições de viagens ou comerciais “não servirão qualquer propósito útil”, destacando que já foram feitos 75 milhões de despistes do Ébola em cruzamentos fronteiriços, noticiou a Lusa.

“A OMS não recomenda restrições a viagens ou comércio, que, em vez de travarem o Ébola, poderão dificultar o combate à doença”, forçando as pessoas a recorrerem a atravessamentos de fronteira informais e não controlados, aumentando o potencial da doença para se espalhar, reforçou o líder da OMS.

A avaliação da OMS indica que o risco de a epidemia continuar a espalhar-se na RDC e na região “permanece muito alto”, mas o risco de se expandir para fora dessa região “permanece baixo”, continuou Tedros.

“Embora não existam evidências de transmissão local de Ébola em Goma, RDCongo ou no Uganda, estes dois episódios significam uma preocupação crescente com a expansão geográfico do vírus”, disse o responsável da OMS, referindo-se aos casos mais recentes: um sacerdote em Goma e uma mulher que foi para o Uganda.

O Comité de Emergência enfatizou, por outro lado, a importância do “apoio continuado da OMS e outros parceiros nacionais e internacionais” na RDC para a “implementação efectiva e monitorização das recomendações da resposta ao Ébola”.

Esta foi a quarta reunião deste órgão científico desde que foi declarado o surto, a 01 de agosto de 2018.

A decisão de ontem foi tomada depois de se confirmar que a doença já tinha chegado a Goma, a cidade mais povoada, com dois milhões de pessoas, e também a mais estratégica de todas as afectadas até agora, localizada a 20 quilómetros da fronteira com o Ruanda, o que aumenta o risco de uma propagação da epidemia.

O primeiro caso de Ébola na cidade de Goma, a uns 350 quilómetros da zona onde até agora se tinha considerado estar confinada a epidemia, foi confirmado na segunda-feira e veio reforçar as preocupações com o descontrolo do surto epidémico.

O comité tinha como missão fazer uma recomendação formal ao diretor-geral da OMS, no sentindo de manter o nível de alerta 2 ou elevá-lo para Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (nível 3, o mais grave, o que significa desencadear o nível mais elevado de mobilização).

A crise do Ébola já provocou 1.676 mortos, registando 12 novos casos a cada dia. Este surto, o segundo mais mortífero na história, é apenas ultrapassado pela epidemia que entre 2014 e 2016 atingiu a África Ocidental e que matou mais de 11.300 pessoas.

No início desta semana, as autoridades do Ruanda pediram hoje aos cidadãos para evitarem viagens "desnecessárias" à RDC, depois da descoberta do caso de Ébola em Goma.

 

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