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ONU alerta para fracasso do acordo sobre Macedónia

O mediador das Nações Unidas para o conflito sobre o nome da Macedónia, Matthew Nimetz, afirmou ontem que, se o Parlamento grego não ratificar o acordo firmado entre Skopje e Atenas, “as consequências do fracasso serão profundas”.

Representante da ONU para as negociações do conflito
Fotografia: DR

Numa entrevista publicada pela agência de notícias grega AMNA, Matthew Nimetz argumentou que um novo acordo pode demorar anos, pois todas as questões agora resolvidas voltariam à mesa de negociações.

Matthew Nimetz foi durante décadas o enviado do Secretário-Geral da ONU para as negociações entre a Grécia e a Antiga República Jugoslava da Macedónia (ARJM).

Na sua opinião, não há possibilidade de uma “solução rápida”, mas muitos cenários possíveis estão em aberto, “alguns deles bastante perigosos”.

“Os dois lados têm trabalhado de boa fé para resolver essa disputa”, declarou Nimetz, acrescentando que após 25 anos de “intensas conversações e negociações difíceis”, chegou-se a um acordo porque dois lados pensam que este respeita os interesses nacionais essenciais.

“A Grécia e a Macedónia também consideram que com o acordo há maior possibilidade de se alcançar a paz, a segurança e a amizade do que se o conflito continuasse”, acrescentou.

O Parlamento grego começou ontem o debate sobre este acordo, que prevê a alteração do nome provisório da Macedónia (ARJM) para República da Macedónia do Norte.

O acordo tem levantado muitas dúvidas na população grega, onde ainda há uma maioria (66 por cento de acordo com uma pesquisa recente) que rejeita que o país vizinho possa incluir no seu nome o termo Macedónia, que consideram um conceito único da cultura helénica.

Outro argumento é que, aceitando o novo nome, a Grécia, que tem uma região homónima no norte, cederia a soberania nacional e abriria as portas para as reivindicações territoriais.

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