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ONU reconhece quadro humanitário dramático

O enviado especial das Nações Unidas para a Líbia, Martin Kobler, admitiu ontem grande dificuldade no acesso da população a bens de primeira necessidade e o quadro deve agravar-se nos próximos dias se não forem tomadas medidas no âmbito humanitário.

Os grupos armados que dominam a capital Tripoli colocaram em alerta importantes meios nas zonas de Dharhara e Zaouiet Dahmani
Fotografia: AFP

Martin Kobler quer uma intervenção imediata das agências internacionais de assistência humanitária para evitar o pior. “Temos de agir rápido e com rigor, senão a população líbia vai ficar numa situação grave, sem meios de subsistência”, advertiu o enviado da ONU para a Líbia.
A situação humanitária no país tornou-se, segundo Martin Kobler, “muito difícil devido à expansão do Estado Islâmico e de grupos terroristas que dominam zonas influentes do território, na ausência de um governo funcional e Forças Armadas fortes”.
Durante a sua estada em Charm-el-Cheikh, Egipto, onde participou na reunião dos ministros da Defesa dos países-membros da Comunidade dos Estados Sahelo-Sarianos, Martin Kobler deu informações precisas sobre o estado geral das condições do povo líbio, para mobilizar o maior número de recursos políticos e militares, mas também de assistência social e humanitária.
O enviado das Nações Unidas sublinhou a necessidade de uma cooperação para parar a expansão do Estado Islâmico nas cidades líbias, indicando que o Governo de Unidade Nacional, dirigido por Fayez Sarraj, deve ser reforçado para expulsar os grupos terroristas do país. Martin Kobler revelou, igualmente, que aguarda a autorização do Conselho de Segurança para se deslocar a Tripoli, capital líbia, onde a situação é mais complicada.

Nova proposta

Os presidentes da Câmara de Representantes (Parlamento líbio), Aguila Saleh, e do Congresso Nacional Geral (CNG), Nouri Abdousahmein, apresentaram uma nova proposta ao Comité do Diálogo Político e à Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (MANUL), relativa à divergência sobre o artigo VIII do anexo sobre as medidas referentes à demissão dos líderes militares e de segurança. A nova proposta pede que a Câmara Constitucional do Tribunal Supremo delibere sobre o assunto e exorta todas as partes a respeitar o texto do acórdão do Tribunal e a absterem-se de pressionar os membros desta jurisdição.
Segundo a proposta, Nouri Abousahmein e Aguila Saleh reafirmam a sua intenção de reduzir o número de membros do Conselho Presidencial para dois vice-presidentes, em vez dos nove actuais, de modo que Fayez Al-Sarraj conserve a presidência do Conselho.
A proposta sugere um Governo de 15 ministros, dos quais cinco nomeados pela Câmara de Representantes, cinco pelo Congresso Nacional Geral e igual número por Fayez Al-Sarrah. Os signatários foram omissos quanto à forma como se fará a repartição das pastas ministeriais, limitando-se a  insistir no princípio da competência.
Os membros do Conselho Presidencial rejeitaram, por unanimidade, a proposta, considerando que esta provoca divisão, segundo uma fonte ligada ao organismo.

Governo de Salvação Nacional

O chefe do Governo líbio de Salvação Nacional instalado em Tripoli, Khalifa Ghwell, decretou o estado de “extrema emergência” na capital e em todas as províncias do país controladas por ele, materializando assim a vontade de se opor à instalação do Governo de União Nacional que resulta do acordo de paz concluído sob a égide das Nações Unidas.
Khalifa Ghwell indicou que o Conselho de Ministros esteve em sessão permanente e encarregou o Ministério da Defesa, o Serviço Geral da Inteligência e as Brigadas dos Revolucionários de tomar medidas estritas de segurança e intensificar as patrulhas e os controlos.
Segundo testemunhas, tanques pertencentes aos grupos armados que dominam a capital Tripoli foram colocados em alerta nas zonas de Dharhara e Zaouiet Dahmani, em pleno centro da cidade.
Estas medidas são uma reacção às informações que anunciavam a chegada à capital de alguns membros do Conselho Presidencial do Governo de União Nacional.
O primeiro-ministro do Governo de Salvação Nacional, Khalifa Ghwell, advertiu o presidente e os membros do Conselho Presidencial de Reconciliação Nacional contra a sua deslocação a Tripoli, garantindo que “esta medida é ilegal, e que por isso vai ser anulada”.
Mas o Conselho Presidencial de Reconciliação Nacional apelou a todas as instituições soberanas e às autoridades do Estado líbio, em particular as financeiras, para tomarem disposições para a total transferência do poder.
O Governo de Salvação Nacional foi formado pelas forças de Fajr Libya (Madrugada da Líbia) após a ocupação da capital Tripoli em Agosto de 2014.

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