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Oposição contribuiu para detenção de alegado testa-de-ferro de Maduro

A oposição venezuelana contribuiu para a detenção, no sábado, na Ilha do Sal, Cabo Verde, do empresário Alex Saab Morán, considerado um testa-de-ferro do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse hoje um opositor venezuelano.

Fotografia: DR

A equipa de Juan Guaidó "facilitou todas as informações possíveis contra o senhor Saab, graças a colaborações com agências colombianas e norte-americanas", disse o comissário de Segurança e Serviços de Informação, da oposição venezuelana, acrescentando: "Há um grupo importante na Colômbia que colaborou com ele".

"Que fique claro que isto não é algo casual", sublinhou Iván Simonovis, em declarações ao canal de televisão TVV Notícias.

"Existe uma investigação em que se faz um escrutínio permanente dos indivíduos do regime dentro e fora da Venezuela. Tem havido efectividade nas investigações, e se pudemos chegar a Alex Saab, imaginem o que sabemos e onde poderemos chegar", afirmou.

Iván Simonovis explicou ainda que por trás da prisão do empresário "existe uma trama criminosa, uma sofisticada estrutura financeira criminal que foi descoberta", sobre a qual ainda não foi possível "aceder a todas as informações".

"Sabemos quem do alto militar venezuelano está envolvido, quem são os altos funcionários do regime que estão envolvidos e quem se beneficia", declarou.

Alex Saab Morán, de nacionalidade colombiana e venezuelana, foi detido no sábado ao realizar uma escala técnica no aeroporto da ilha do Sal, quando o seu avião fez uma paragem para reabastecimento, num voo de regresso para o Irão, após uma viagem à Venezuela.

O empresário é considerado pelas autoridades dos Estados Unidos da América (EUA) como testa-de-ferro de Nicolás Maduro, embora essa descrição não apareça em nenhum processo judicial e o Presidente venezuelano nunca tenha sido alvo de qualquer acusação relacionada com o empresário colombiano.

O Governo venezuelano denunciou no domingo, em comunicado, que a detenção, em Cabo Verde, do empresário Alex Saab Morán foi "ilegal", por estar em missão oficial com "imunidade diplomática", pedindo a sua libertação.

A detenção do empresário é classificada pelo Governo da Venezuela como "arbitrária" e uma "violação do direito e das normas internacionais", tal como as "acções de agressão e cerco contra o povo venezuelano, empreendidas pelo Governo dos Estados Unidos da América".

"Em estrita adesão ao direito internacional e no âmbito da amizade e relações respeitosas que mantemos historicamente entre os dois países, a Venezuela pede ao Estado cabo-verdiano que liberte o cidadão Alex Saab, facilitando o seu regresso e protegendo os seus direitos fundamentais, com base no devido processo legal", lê-se no comunicado.

A nota acrescenta que a Venezuela "tomou todas as medidas correspondentes por meio de canais diplomáticos e legais, para garantir a salvaguarda dos direitos humanos" do empresário, "bem como o seu inalienável direito à defesa".

No mesmo comunicado governamental é referido que Alex Saab Morán viajava como "agente do Governo Bolivariano da Venezuela" e que "estava em trânsito" em Cabo Verde, numa escala técnica necessária à viagem que realizava, que visava "garantir alimentos para os Comités Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), bem como medicamentos, suprimentos médicos e outros bens humanitários à atenção da pandemia de covid-19".

A Venezuela acusa a Interpol de emitir "um mandado de detenção extemporâneo para justificar a detenção, sem levar em consideração a imunidade diplomática que o direito internacional concede a um agente de um Governo soberano".

Saab era procurado pelas autoridades norte-americanas há vários anos, suspeito de acumular numerosos contratos, de origem considerada ilegal, com o Governo venezuelano de Nicolás Maduro.

Em 2019, procuradores federais em Miami, nos EUA, indiciaram Alex Saab e um seu sócio, por acusações de operações de lavagem de dinheiro, relacionadas com um suposto esquema de suborno para desenvolver moradias de baixa renda para o Governo venezuelano, que nunca foram construídas.

Ao mesmo tempo, Alex Saab foi alvo de sanções por parte do Governo dos EUA por supostamente utilizar uma rede de empresas de fachada, espalhadas pelo mundo, para ocultar avultados lucros de contratos de alimentos sobrevalorizados, obtidos através de subornos.

O tribunal da ilha cabo-verdiana do Sal decretou hoje a prisão preventiva do empresário Alex Saab Morán, disse à Lusa o procurador-geral da República de Cabo Verde, José Landim.

Os EUA têm agora um prazo de 18 dias para solicitar a extradição do empresário às autoridades cabo-verdianas.

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