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Oposição da Guiné Conacri retoma protestos contra terceiro mandato de Alpha Condé

A oposição da Guiné Conacri anunciou hoje a retoma das manifestações contra um terceiro mandato do Presidente Alpha Condé, após o seu partido ter anunciado, na segunda-feira, a sua recandidatura nas presidenciais de 18 de Outubro.

Presidente da Guiné Conacri, Alpha Condé
Fotografia: DR

A apresentação do atual Chefe de Estado à corrida presidencial, depois de ter cumprido já dois mandatos, é considerada "escandalosa e geradora de conflitos" pela oposição que há meses se vem manifestando nas ruas contra essa possibilidade. 

A Frente Nacional para a Defesa da Constituição (FNDC), um coletivo de partidos, sindicatos e membros da sociedade civil, afirmou numa declaração que os protestos, de que já resultaram dezenas de mortes, entrarão numa "fase decisiva".

O partido de Alpha Condé, o Coletivo do Povo da Guiné Conacri (RPG, na sigla em francês), anunciou, na segunda-feira, através de uma declaração lida na televisão nacional que o Chefe de Estado, de 82 anos, tinha concordado em ser candidato nas eleições presidenciais marcadas para 18 de Outubro. 

O FNDC denunciou a candidatura a um terceiro mandato como sendo "ilegítima" e, numa declaração publicada em redes sociais, descreve a presidência do Presidente Condé como uma "ditadura feroz". Por outro lado, a organização condenou a forma "cobarde" como a candidatura foi anunciada.

"É agora óbvio para os mais céticos que a pretensão de Alpha Condé não é outra coisa senão a maior desilusão da História política do nosso país", disse o FDNC. Por isso, apelou à "preparação para o recomeço das manifestações" em data a anunciar em breve.

O FNDC tem mobilizado repetidamente nas ruas um grande número de manifestantes desde Outubro com o objetivo de impedir um terceiro mandato do Chefe de Estado cessante bem como a reforma constitucional que lhe permitirá concorrer à reeleição. Os protestos, que foram duramente reprimidos várias vezes, resultaram em dezenas de mortes e o Governo adoptou nova Constituição.

A Constituição da Guiné Conacri limita o número de mandatos presidenciais a dois, mas os apoiantes de Condé argumentam que a sua adopção repõe a contagem a zero. Alpha Condé, antigo opositor, tornou-se, em 2010, o primeiro Presidente democraticamente eleito após décadas de governos autoritários nesta antiga colónia francesa na África Ocidental, onde mais de metade da população vive na pobreza apesar dos muitos recursos do subsolo.

Reeleito em 2015, os opositores acusam-no de desvio autoritário.

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