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Oposição rejeita plano eleitoral dos militares

A oposição do Sudão rejeitou na terça-feira à noite o plano dos militares para realizar eleições dentro de nove meses, revelou a estação britânica de televisão BBC, na mesma altura em que o Conselho de Segurança falhou a aprovação de uma declaração conjunta sobre este problema.

Os manifestantes prometem permanecer nas ruas de Cartum
Fotografia: DR

A rejeição ocorreu um dia após a mais grave onda de violência desde que o Presidente Omar al-Bashir foi deposto em Abril onde pelo menos 60 pessoas (segundo o último balanço) foram mortas quando as forças de segurança invadiram um campo de protesto no exterior do Ministério da Defesa, no centro de Cartum.
O Conselho Militar de Transição, que governa o Sudão desde o derrube de Bashir e tinha anulado todos os acordos firmados durante negociações com a principal aliança da oposição para a criação de uma administração transitória, mostrou-se ontem disponível para o reinício das conversações para “salvaguardar os interesses dos sudaneses”, sem esclarecer se os acordos até agora obtidos ainda se mantinham ou estavam efectivamente sem efeito, mas não obteve ainda uma resposta por parte dos grupos civis.
A nova posição dos militares surge depois de diversos países e das Nações Unidas terem apelado ao reinício das conversações para que seja encontrada uma saída para a crise.
Madani Abbas Madani, líder da aliança de oposição Declaração de Liberdade e Forças de Mudança (DFCF), disse que se mantém activa uma campanha aberta de desobediência civil para forçar os militares a deixarem o poder.
“O que aconteceu na segunda-feira foi uma tentativa sistemática e planeada de impor a repressão ao povo sudanês”, disse Madani citado pela Reuters. O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se na terça-feira para ouvir o enviado Nicholas Haysom, que tem trabalhado com a UA para encontrar solução para a crise sudanesa.

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