Mundo

Ortega anuncia diálogo para conter protestos

Mortos, feridos, destruição, barricadas e saques foram as marcas deixadas no sábado pelos violentos protestos que tiveram lugar na Nicarágua, contra uma reforma da segurança social e que levaram o Governo do Presidente Daniel Ortega a aceitar a abertura de um diálogo nacional.

Presidente da Nicarágua acusa manifestantes de seguirem “ordens” de Washington
Fotografia: DR

Os protestos começaram na quarta-feira e, segundo o Governo, já causaram 10 mortos, mas organizações humanitárias discordam e falam em 24 vítimas mortais e mais de 80 feridos nos confrontos durante as manifestações.
O Papa Francisco declarou estar muito preocupado com a situação na Nicarágua e pediu o fim da violência no país.
“Estou preocupado pelo que está a acontecer na Nicarágua”, declarou o Papa, referindo-se aos confrontos que causaram vítimas.
Francisco pediu o fim da violência e que se evite um “inútil derramamento de sangue”, apelando a que “as questões se resolvam pacificamente e com sentido de responsabilidade”.
O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o seu Governo está totalmente de acordo em retomar o diálogo para a paz, para a estabilidade para o trabalho, para que o “país não fique afectado pela situação de terror que vive neste momento”.
O líder nicaraguense não deu uma data para o início do diálogo, proposto na sexta-feira pelo sindicato patronal, mas disse que os seus representantes estão prontos para “discutir este decreto”, que entrou em vigor na quarta-feira e fazer ajustes ou redigir um novo, se necessário.
Estes são os mais violentos protestos no país em 11 anos de Governo de Daniel Ortega, nos quais manifestantes munidos com armas brancas, de fogo e pedras enfrentaram polícias e grupos que apoiam o Governo.
“O que está a acontecer no nosso país não tem nome”, disse o Chefe de Estado, acompanhado da esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, e o alto comando militar e policial.
Sem citar nomes, Ortega disse que os protestos são incentivados por grupos políticos contrários ao seu Governo e financiados por sectores extremistas dos Estados Unidos.
“Têm todo o direito de criticar (...) mas não têm o direito de conspirar para destruir e, pior ainda, procurar lá nos Estados Unidos os grupos políticos mais extremistas do império que, em primeiro lugar, são racistas”, afirmou num discurso à Nação.
“Desgraçadamente, está aí a contaminação do aproveitamento político”, mas “que vão conspirar para promover a violência no nosso país, isso não tem perdão de Deus, é terrível”, condenou o Presidente, acusando os organizadores dos protestos de incorporar nas manifestações “jovens que caíram na delinquência”.
“Estão a criminalizar os protestos e estão a pôr em risco jovens que foram aos protestos com boas intenções”, e que “vão respondendo a uma direcção política que os usa para destruir e saquear”.
O fazem para “semear o terror, semear a insegurança” e “destruir a imagem da Nicarágua, após 11 anos de paz” no país, defendeu o Presidente, em alusão aos seus anos no poder.
Após o discurso do Presidente, o primeiro desde o início as manifestações violentas, centenas de jovens voltaram a enfrentar a tropa de choque na capital.
Com os rostos cobertos por camisolas, os jovens ergueram barricadas nas ruas e atiraram pedras nos polícias, que respondiam com bombas de gás lacrimogéneo.
“Se é assim que o Governo pensa que se resolvem as coisas, vai ser assim!”, disse um jovem, enfurecido.

Tempo

Multimédia