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Ossufo Momade fala em “forças diabólicas”

O presidente da Renamo, Ossufo Momade, considera que há “forças diabólicas” que estão a tentar manchar o “bom nome” do partido, uma alusão directa aos guerrilheiros que exigiram recentemente a sua demissão, subli- nhando que eles estão a ser “instrumentalizados.”

Um grupo de oficiais superiores da Renamo acusa o actual líder de estar a destruir o partido
Fotografia: DR

“Contrariamente aos nossos esforços de manter a paz, há forças diabólicas que de forma inglória procuraram manchar a nossa honra, bom nome e boa imagem públicas”, disse Ossufo Momade, em declarações à imprensa, segundo a Lusa, por teleconferência a partir da Serra da Gorongosa, localizada no centro de Moçambique.
Em causa, estão declarações proferidas no dia 12 de Junho pelo major-general da Renamo Mariano Nhungue, que exige a demissão de Ossufo Momade, acusando-o de estar a destruir o partido e ameaçando-o de morte.
Para o presidente da Renamo, o grupo liderado pelo major-general Mariano Nhungue está a ser instrumentalizado para desempenhar um “papel ridículo e mercenário.”
“Essas forças diabólicas duvidam da nossa liderança, apesar de reconhecerem que representamos a maioria e somos uma alternativa inquestionável ao Governo da Frelimo”, concluiu o presidente da Renamo.
Além de ameaçar o presidente do partido de morte, os revoltosos acusaram Os-sufo Momade de ter executado dois guerrilheiros do partido, mas um deles reapareceu na semana passada a desdramatizar a situação e a explicar as causas do seu desaparecimento.
Os revoltosos disseram ainda que os “comandos” da Renamo vão escolher um novo líder no dia 10 ou 15 de Julho e que, no âmbito das negociações com o Governo moçambicano, nenhum guerrilheiro do partido vai aceitar o desarmamento e desmobilização enquanto Ossufo Momade se mantiver no cargo.
O Governo moçambica-no e a Renamo continuam a negociar uma paz definitiva em Moçambique, tendo as partes previsto que até Agosto, antes das eleições gerais de 15 de Outubro, seja assinado um acordo de paz efectiva no país.
Um dos pontos mais complexos das negociações tem sido a questão do desarmamento, desmobilização e reintegração dos homens armados da Renamo.
O principal partido da oposição exige a presença dos seus quadros no Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) e nas academias militares, o que não tem tido resposta por parte do Executivo moçambicano.

Mais de doze milhões de eleitores registados

O país registou 12,9 milhões de eleitores, para as eleições gerais de 15 de Outubro deste ano, equivalente a pouco mais de 91 por cento da meta inicial, anunciou o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE).
“Este recenseamento inscreveu 7,3 milhões, que se juntam aos 6,8 registados em 2018, o que totaliza 12,9 milhões de eleitores, que corresponde a 91,3 por cento da meta", disse Paulo Cuinica, porta-voz da STAE, em conferência de imprensa realizada na segunda-feira, na capital Maputo.
A meta do STAE é chegar a um total de 14 milhões de cidadãos inscritos, para votar nas eleições autárquicas e para as presidenciais deste ano no país.
A administração eleitoral diz que em termos de inscrições, o recenseamento eleitoral de 2019 é o segundo maior, depois do processo que a instituição levou a cabo, em 2009.
Ainda assim, 1,2 milhões de pessoas ficaram fora do processo de recenseamento eleitoral.
Os órgãos eleitorais entendem que os ciclones e os ataques registados no Centro e Norte do país não tiveram influência negativa no recenseamento eleitoral.
O processo de recenseamento foi prejudicado por avaria de máquinas de registo, falta de energia eléctrica, falta de tinteiros de impressoras, entre outros constrangimentos e irregularidades, de acordo com organizações não-governamentais moçambicanas, que têm feito a respectiva observação.
O recenseamento para as eleições gerais em Moçambique terminou no dia 30 de Maio.
Pela primeira vez, além de escolherem a composição do Parlamento e o Presidente da República, os moçambicanos vão eleger os governadores das 11 províncias do país, que deixam de ser nomeados pelo poder central.
As eleições gerais - legislativas, presidenciais e provinciais – estão apontadas para o próximo dia 15 de Outubro e marcam, assim, o fim do ciclo eleitoral 2018/2019, que começou com as eleições autárquicas a 10 de Outubro do ano passado.

Moçambique tem a paz como principal desafio

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu ontem que a paz definitiva é o principal desafio de Moçambique, no dia em que o país celebrou 44 anos de independência.
“Resgatar a paz duradoura, efectiva e sustentável, continua a ser o nosso maior compromisso como país”, disse o Chefe de Estado moçambicano no discurso.
Filipe Nyusi falava na capital moçambicana, durante as cerimónias centrais da celebração do Dia da Independência, que se assinalou ontem, em Moçambique.
De acordo com o Chefe de Estado moçambicano, o compromisso com a paz é partilhado com a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição, em Moçambique, e com o qual o Governo tem dialogado para a assinatura de um acordo definitivo, após confrontações militares entre 2014 e 2015, na sequência da recusa daquele partido em aceitar os resultados das últimas eleições gerais.
“Do último encontro que tivemos em Chimoio (centro de Moçambique), resultou a convicção unânime de que é chegado o momento da cessação definitiva das hostilidades militares e o início imediato da reintegração na vida social dos guerrilheiros da Renamo”, afirmou o Presidente moçambicano.
As partes estão a prever a assinatura de um acordo de paz definitivo, em Agosto, antes das eleições gerais agendadas para 15 de Outubro, em Moçambique.
Apesar destes desenvolvimentos no processo negocial com a Renamo, o Chefe de Estado moçambicano alertou para a ameaça à paz, em Cabo Delgado, onde grupos armados protagonizam ataques naquela província do Norte de Moçambique.
“Os grupos de malfeitores continuam a engendrar acções de terrorismo, aliciam jovens moçambicanos a revoltarem-se contra os seus compatriotas. Destroem campos de produção, habitações e decapitam homens e mulheres. Reiteramos a condenação veemente a estes actos, que constituem um atentado à nossa soberania”, afirmou.
O Chefe de Estado moçambicano reiterou o apelo às comunidades, para que denunciem “qualquer movimentação suspeita”, considerando que as Forças de Defesa e Segurança continuam no terreno em operações, para garantir a paz e estabilidade na região.
Os ataques armados no Norte de Moçambique começaram em Outubro de 2017 e já causaram a morte de pelo menos 100 pessoas, segundo dados oficiais.
Com cerimónias, em pelo menos todas as capitais provinciais do país, Moçambique celebra 44 anos após a proclamação da independência, em 1975, pelo então Presidente Samora Machel, após a luta de libertação contra o regime colonial português, que começou em 1964.



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