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PAIGC faz crítica a oposição pelo aproveitamento político

O PAIGC criticou hoje, num comunicado distribuído aos órgãos de comunicação social em Bissau, o que considera aproveitamento político que alguns partidos políticos da Guiné-Bissau estão a fazer da “onda de tráfico de droga”no país.

Fotografia: DR

A Polícia Judiciária da Guiné-Bissau anunciou, na quinta-feira, a apreensão de quase duas toneladas de cocaína no país, situação que está a gerar várias reacções políticas na Guiné-Bissau.
“As apreensões recorde de estupefacientes em períodos de eleição, para além de revelarem a fragilidade do nosso país e a promiscuidade de certas lideranças em negócios ilícitos, constituem elementos de prova inequívoca da vontade política para combater este crime, que todos sabiam”, revelou, em comunicado, o PAIGC, o partido vencedor das legislativas de Março na Guiné-Bissau.
Segundo as revelações do partido no poder, a operação é também a resposta aos apelos dos membros do “Conselho de Segurança da ONU que, de forma reiterada, vêm expressando preocupação com a questão do narcotráfico e o crime organizado transnacional na Guiné-Bissau”.
“O PAIGC está a liderar o actual Governo com o compromisso de combater todo o tipo de crime, sobretudo, aqueles que antes eram ocultados, por conveniência ou apatia de alguns”, salientou em comunicado o PAIGC.
Num comunicado, divulgado quarta-feira, o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), partido líder da oposição na Guiné-Bissau, mostrou preocupação com o crescimento do tráfico de droga no país.
O Madem-G5 responsabilizou também o Governo pela “deterioração das condições de controlo do território nacional, ausência e determinação política do Executivo em combater o tráfico de droga no país.
O Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes, afirmou, na sexta-feira, estar de “consciência tranquila”, referindo-se às acusações feitas pelo Partido de Renovação Social (PRS) de que está envolvido no tráfico de droga.
“Estamos de consciência perfeitamente tranquila quanto a uma eventual queixa-crime de quem quer que seja”, referiu Aristides Gomes, numa mensagem publicada nas redes sociais.
O PRS acusou o Primeiro-Ministro de ser responsável pela introdução de cocaína no país e pediu às instâncias judiciais para lhe instaurarem um processo-crime.
Na mensagem, o Primeiro-Ministro guineense sublinha que o Governo e ele próprio são “indiferentes a tentativas de intimidação. Não iremos recuar um passo na luta contra os narcotraficantes”, assegura Aristides Gomes.O chefe do Executivo garante também que o Governo vai continuar a dar todo o apoio à Polícia Judiciária no combate ao crime organizado.

Elogio à Polícia Judiciária
A ministra da Justiça da Guiné-Bissau, Rute Monteiro, elogiou o trabalho da Polícia Judiciária guineense e considerou a apreensão de quase duas toneladas de cocaína como um “golpe para os traficantes”.
"O Governo congratula-se com este resultado de apreensão. Faz parte do programa de Governo a luta contra a criminalidade e é uma grande satisfação verificar que a Polícia Judiciária levou a cabo as investigações e a apreensão desta quantidade de droga. Estamos a falar de quase duas toneladas. Isso é realmente um golpe para os traficantes", afirmou a ministra, durante a visita às instalações da PJ, em Bissau, segundo a Lusa.
"Não é a Polícia Judiciária que realiza a Justiça, portanto, agora nós vamos ter as outras etapas que passam pelo Tribunal de Instrução Criminal a aplicação de medidas de coação adequadas para permitir que os donos sejam sujeitas a um julgamento, que esperamos que seja célere, isenta e eficaz", salientou.
Ao Governo, continuou a ministra, cabe garantir que as penas de prisão que venham a ser aplicadas sejam cumpridas. A PJ guineense anunciou na segunda-feira a apreensão de 1.869 quilogramas de cocaína no Norte da Guiné-Bissau, no âmbito da operação “Navarra”.
“Esta é a maior apreensão de sempre de cocaína na história da Guiné-Bissau”, disse o director nacional adjunto da Polícia Judiciária guineense, Domingos Correia. No âmbito da operação, foram detidos três colombianos, quatro guineenses e um maliano.
Em Março, a Polícia Judiciária da Guiné-Bissau apreendeu cerca de 789 quilogramas e deteve um guineense, um senegalês e dois cidadãos do Níger, um dos quais era assessor especial do presidente do Parlamento daquele país e relacionado com a al-Qaeda para o Magrebe Islâmico.
Domingos Correia explicou que a PJ suspeita que a droga apreendida esteja relacionada com a mesma rede e admitiu a possibilidade de serem feitas mais detenções.

 

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