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Países africanos evitam mercados e preferem recorrer ao FMI

Os países da África subsaariana não fizeram qualquer emissão de dívida pública no segundo trimestre deste ano e deverão manter-se fora dos mercados até 2021, apostando no FMI para o financiamento, segundo o Bank of America.

A assunção do problema da dívida como uma questão central para os governos africanos ficou bem espelhada na preocupação que o FMI e o Banco Mundial dedicaram a esta questão durante os Encontros Anuais
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"As economias da África subsaariana vão provavelmente ficar fora dos mercados de dívida internacional pelo menos até final do último trimestre deste ano, e provavelmente até 2021, preferindo apostar em fundos do Fundo Monetário Internacional (FMI)", disse o analista do Bank of America Rukayat Yusuf, numa nota enviada à agência de informação financeira Bloomberg.

As nações em maiores dificuldades financeiras vão poder ter 50 por cento da quota no FMI em financiamento no próximo ano, acrescentando aos 10,6 mil milhões de dólares (9,36 mil milhões de euros) já desembolsados este ano, acrescentou o analista. Os países da África subsaariana têm "muito poucos" pagamentos de dívida neste e no próximo ano, tendo apenas de suportar os juros das emissões que já fizeram.

De acordo com os dados oficiais, os países da África subsaariana não fizeram qualquer emissão de dívida no segundo trimestre deste ano, ficando arredados dos mercados internacionais devido ao aumento dos custos de financiamento devido à pandemia da Covid-19 e à crise económica que se abateu sobre a região na sequência da descida dos preços das matérias primas e das medidas necessárias para combater a propagação da pandemia.

Os comentários do analista surgem na mesma altura em que a Comissão Económica para África das Nações Unidas (UNECA) tem mantido reuniões com os ministros das Finanças africanos, na sequência da discussão pública que tem existido nos sobre como os governos podem honrar os compromissos e, ao mesmo tempo, investir na despesa necessária para conter a pandemia da Covid-19.

A assunção do problema da dívida como uma questão central para os governos africanos ficou bem espelhada na preocupação que o FMI e o Banco Mundial dedicaram a esta questão durante os Encontros Anuais, que decorrem em Abril em Washington, na quais disponibilizaram fundos e acordaram uma moratória no pagamento das dívidas dos países mais vulneráveis a estas instituições.

Em 15 de Abril, também o G20, o grupo das 20 nações mais industrializadas, acertou uma suspensão de 20 mil milhões de dólares, cerca de 18,2 milhões de euros, em dívida bilateral para os países mais pobres, muitos dos quais africanos, até final do ano, desafiando os credores privados a juntarem-se à iniciativa.

Os credores privados apresentaram já em Junho os termos de referência para a adesão dos países a um alívio nos pagamentos da dívida, que poderiam ser suspensos, mas não perdoados, e acumulavam juros, mas vários governos mostraram-se reticentes em aderir à iniciativa por medo de descidas nos ratings, que os afastariam dos mercados internacionais, necessários para financiar a reconstrução das economias depois da pandemia.

A Moody's é a única das três maiores agências de notação financeira que considera que a adesão ao alívio da dívida bilateral aos países do G20 é motivo suficiente para colocar o rating desse país em revisão para uma descida, o que levou a secretária-geral da UNECA, Vera Swonge, a dizer que "nenhum país africano" vai falhar os pagamentos da dívida a credores comerciais e privados.

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