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Pandemia pode lançar mais 130 milhões de pessoas para fome aguda em África

A pandemia de Covid-19 pode lançar mais 130 milhões de africanos para uma situação de fome aguda, aumentando a necessidade de financiamento das organizações humanitárias, alertou esta quinta-feira (23) o economista-chefe do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU.

Economista-chefe do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU.
Fotografia: DR

Esta estimativa pode duplicar o número de pessoas com necessidade profunda de assistência alimentar, que atualmente já afecta 135 milhões de pessoas por viverem em países conflitos ou instabilidade económica e política, às quais se juntam cerca de 821 milhões de pessoas em situação de fome crónica, completando um cenário de grande insegurança alimentar no continente.

“Se juntarmos estes 130 milhões aos 135 milhões existentes soma 265 milhões com fome aguda em 2020, o que é um número muito grande para tratar”, vincou Arif Husain, durante um seminário por videoconferência promovido pelo Instituto Real de Relações Internacionais Chatham House, estabelecido em Londres.

Parte deste grupo de maior risco vive em zonas de guerra, como o Nordeste da Nigéria, Burkina Faso ou Sudão do Sul, e já depende de agências humanitárias para sobreviver, e outra parte são outros trabalhadores do setor informal da economia, como serviços ou turismo, que são pagos em dinheiro e que deixam de poder comprar comida por falta de rendimento devido à crise económica.

“O Programa Alimentar Mundial já ajuda 120 milhões de pessoas, mas vamos precisar de mais financiamento por causa da Covid-19, uns 10-12 mil milhões de dólares”, adiantou.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou perto de 184 mil mortos e infectou mais de 2,6 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

O número de mortes provocadas pela Covid-19 em África subiu para 1.242 nas últimas horas, com quase 26 mil casos registados da doença em 52 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné Equatorial lidera em número de infecções (83 casos e uma morte), seguida de Cabo Verde (73 casos e uma morte), Guiné-Bissau (52) Moçambique (41), Angola (25 infectados e dois mortos) e São Tomé e Príncipe tem três casos confirmados.

Várias instituições internacionais financeiras como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial têm defendido um alívio da dívida para os países africanos mais vulneráveis, que são incapazes de servir a dívida e ao mesmo tempo investir nos sistemas de saúde de forma a conter a propagação da Covid-19.

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