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Papa contra o pessimismo na hora do desconfinamento

O Papa Francisco advertiu ontem contra o pessimismo perante as lamentações de muitas pessoas de que nada volte a ser como era, após o fim do confinamento devido à pandemia da Covid-19.

Fotografia: DR

Durante a Missa na Basílica de São Pedro, para assinalar o Domingo de Pentecostes, Francisco disse que este receio leva a que "a única coisa que certamente não regresse é a esperança". E exemplificou com a fragmentação da própria igreja, referindo que esta tem de se unir. O Mundo vê conservadores e progressistas, mas todos são "filhos de Deus", disse o Papa, apelando aos fiéis para se concentrarem no que os une.

"Neste momento, no grande esforço de começar de novo, quão prejudicial é o pessimismo, a tendência para ver tudo da pior maneira e para continuar a dizer que nada voltará a ser como antes", disse o Papa, acrescentando que "quando alguém pensa assim, a única coisa que certamente não regressa é a esperança".

Algumas dezenas de fiéis, usando máscaras e sentados num banco, assistiram à cerimónia respeitando as medidas de segurança para evitar a propagação da Covid-19.

Embora o Vaticano tenha reaberto a basílica aos turis- tas, os fiéis ainda não podem assistir às missas celebra- das pelo Papa por receio de aglomerações.

Amazónia está a ser duramente atingida

O Papa Francisco lembrou ontem que a região Amazónica está a ser duramente atingida pela pandemia do novo coronavírus, registando muitos mortos e infectados, e pediu que ninguém fique sem assistência médica.

Francisco fez esse apelo após oração de Regina Coeli, que substitui o Ângelus durante este período, tendo-se inclinado para fora da janela do palácio apostólico, quando o acesso à Praça de São Pedro foi novamente permitido após quase três meses.

“O Sínodo da Amazónia terminou há sete meses. Hoje, festa de Pentecostes, invocamos o Espírito Santo para dar luz e força à Igreja e à sociedade na Amazónia, severamente afectada pela pandemia”, disse o Papa Francisco.

Francisco falou dos “muitos infectados e mortos”, alertando que os povos indígenas “são particularmente vulneráveis”.

“As pessoas mais pobres e indefesas desta região amada, mas também as do mundo todo, ninguém fique sem a assistência médica. Não economizemos em saúde por causa da economia. As pessoas são mais importantes que a economia”, acrescentou.

O Papa Francisco terminou a mensagem com o desejo de “um bom domingo de Pentecostes”, disse que “a Igreja precisa que caminhar em harmonia e com coragem”, assim como “toda a família humana” de forma a “sair da crise mais unida”.

Desde que foi registada a primeira vítima do novo coronavírus na Amazónia - um jovem de 15 anos da etnia Yanomami no norte do Brasil - a propagação do vírus não parou e, em poucas semanas, avançou gradualmente em quase todos os territórios da região.

De acordo com o balanço diário da Rede Eclesial Panamenha, com base em dados recolhidos junto das autoridades sanitárias de nove países que compõem a Região Panamenha, desde 17 de Março registaram-se 504 mortes entre os povos indígenas da Amazónia e 2.278 casos de infecção.

Estes números sofrem um aumento se além dos povos indígenas for considerada toda a população do território amazónico, passando para 6.200 mortes e mais de 118 mil infecções.

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