Mundo

Papa recebido em Moçambique com críticas por parte da oposição

O Papa Francisco saiu às 18:25 de locais de ontem (menos uma hora em Angola) do avião que o transportou até à Base Aérea de Maputo, para uma visita ao país, que vai durar até sexta-feira. Uma forte ovação eclodiu assim que se viu o Papa, recebido na pista pelo Presidente moçambicano, Filipe Niusy.

Fotografia: DR

À sua espera, já noite, estavam centenas de peregrinos no aeroporto a entoar cânticos que o chamam de mensageiro da paz e reconciliação.
Após uma cerimónia de boas-vindas e depois de percorrer em papamóvel algumas avenidas da cidade, diante de milhares de moçambicanos, o programa do líder da igreja católica continua amanhã, com uma visita de cortesia ao Presidente da República, no Palácio da Ponta Vermelha, onde fará o seu primeiro discurso em Moçambique.
Segundo a agência Lusa, durante a viagem episcopal a Moçambique, que termina sexta-feira, o Papa vai reunir-se com o Presidente Filipe Nyusi e com representantes da sociedade civil, autoridades e do corpo diplomático. Também membros do clero e de instituições religiosas serão visitados pelo Papa, assim como um hospital em Maputo.
Um dos momentos-chave da intervenção do papa em Moçambique será na missa campal de sexta-feira, no Estádio Nacional do Zimpeto, que se espera cheio e com projecção complementar no exterior, para quem não conseguir lugar.
O Ministério do Trabalho anunciou na terça-feira, em comunicado, que vai ser decretada tolerância de ponto para sexta-feira na cidade e província de Maputo, de modo a possibilitar que todos possam assistir à missa do Santo Padre.
O que ainda não se sabe é se irá ser respeitado o apelo feito pelo Presidente Filipe Nyusi, para que, durante a presença do Papa no país, sejam suspensas todas as actividades relacionadas com a campanha eleitoral. O Presidente moçambicano afirmou que estão criadas as condições para a visita do Papa e que esta se trata de uma grande festa e de um momento para reflexão entre moçambicanos.
“O trabalho foi feito ao detalhe, incluindo coisas que nem fazem parte da visita, mas que foram reparadas. As condições estão criadas e estamos satisfeitos”, disse o Chefe de Estado moçambicano, falando durante a última visita aos locais por onde o Papa Francisco vai passar.
“Todos os moçambicanos são exortados a acompanhar esta visita. É um dia de festa e foi decretada tolerância de ponto para Maputo. É um momento para celebrarmos e para estarmos juntos”, afirmou Filipe Nyusi.
Mas a verdade é que a oposição é crítica em relação ao período em que decorre a visita do Papa ao país. A Renamo já referiu que o acontecimento pode ser aproveitado pelo Governo para favorecer a Frelimo e assim montar um “circo mediático” para os seus candidatos se “exibirem”.

Factor de União

A visita do Papa a Moçambique pode atenuar as clivagens políticas e unir os moçambicanos, tal como aconteceu quando João Paulo II visitou o país, em 1988, disse ontem à Lusa António Juliasse, um dos bispos que recorda a visita e que agora preparou a de Francisco.
“Eu experimentei isso. Antes, havia discursos de acusação, havia um certo inconformismo político de uns e outros, mas, quando João Paulo II chegou, foi festa na cidade, festa no campo, foi festa entre todos”, recorda António Juliasse, bispo auxiliar de Maputo e uma das figuras que liderou os preparativos da visita do Papa Francisco.
Na altura, havia guerra, mas passados 31 anos e três acordos de paz entre o Go-verno e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), oposição, Juliasse só espera que a festa se repita.
“Os que tinham armas, de um e outro lado, pararam para poderem escutar e examinar aquilo que o Papa João Paulo II ia falar”, sublinha. "Esperamos que todos eles, políticos, dirigentes, acolham o Santo Padre despidos destes orgulhos, que nascem das representações que têm da política. Penso que daí teremos benefícios".
António Juliasse espera que a visita do Papa Francisco mude a forma de agir dos políticos e faça crescer a auto-estima da população.

Tempo

Multimédia