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Partidos pró-União Europeia têm maioria no Parlamento

A Comissão Europeia confirmou ontem que os resultados das eleições europeias mostram “uma maioria pró-europeia” na UE, vincando que o sufrágio foi ganho por quem quer “trabalhar para a Europa” e não por “quem a quer destruir”.

Resultados da votação mostram que o futuro da União Europeia continua garantido
Fotografia: DR

“Os que ganharam as eleições são os que querem trabalhar de e para a Europa e não os que a querem destruir”, reagiu o porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas.
Falando na conferência de imprensa diária do Executivo comunitário, em Bruxelas, o responsável notou que “há uma maioria pró-europeia instalada” após as eleições que arrancaram quinta-feira e terminaram no domingo, “o que significa que haverá um Parlamento Europeu construtivo na próxima legislatura”.
E reforçou: “Acho que os populistas não ganharam estas eleições porque, contrariamente a algumas profecias, foram as políticas pró-europeias que ganharam o dia”.
Resultados provisórios divulgados pelo Parlamento Europeu confirmam a vitória do Partido Popular Europeu (PPE) nas eleições, com 182 assentos, menos 39 do que em 2014, e a ascensão do ALDE a terceira maior força, com 109 eleitos.
Os dados ontem publicados pela Assembleia europeia - que teve por base resultados finais em sete países e provisórios noutros 19, bem como estimativas nacionais da Irlanda e do Reino Unido - confirmam o PPE como principal força política, que ainda assim perde 39 eurodeputados em comparação com as eleições de 2014.
Em segundo lugar surgem os socialistas, com a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) a conseguir 147 eleitos, menos 44 do que há cinco anos.
Estas perdas significam que as duas maiores famílias do Parlamento Europeu juntas não chegam à maioria face ao total de 751 eurodeputados. A ganhar 42 assentos ficou a Aliança dos De-
mocratas e Liberais pela Europa (ALDE), que de acordo com os resultados provisórios divulgados ontem chegava aos 109 eleitos na coligação com o movimento francês Renaissance e o romeno USR PLUS, tornando-se na terceira maior força da Assembleia europeia.
Na tarde de domingo, foi anunciado que a Renascença (Renaissance En Marche), o nome pelo qual o partido do Presidente francês, Emmanuel Macron, fez campanha nestas eleições europeias iria unir-se ao grupo, que foi rebaptizado com ALDE&R.
Também a ganhar nestas eleições ficou o Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, com 69 eleitos, contra 50 no início da legislatura anterior.
Este resultado foi, inclusive, um dos mais surpreendentes do sufrágio, beneficiado pelas recorrentes manifestações pelo clima e por lutas como a do fim do plástico.
No que toca à participação, fixou-se numa taxa de 50,82 por cento em toda a UE, a maior em 20 anos.
Reagindo a este número, Margaritis Schinas referiu que “as eleições foram a prova real de que a democracia europeia está viva e de boa saúde”.
“Mostra que os cidadãos europeus querem estar envolvidos e guiar, com o seu voto, o futuro da UE, e estamos muito satisfeitos com isto”, vincou, falando em nome da Comissão Europeia liderada por Jean-Claude Juncker.

Cimeira de líderes

Os Chefes de Estado e de Governo da União Europeia reúnem-se hoje numa cimeira extraordinária em Bruxelas para começar a negociar as designações para os lugares institucionais de topo.
Menos de 48 horas após o encerramento das urnas das eleições europeias, esta cimeira, convocada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk - cujo posto é um entre vários a “mudar de mãos” na sequência das eleições europeias -, terá início ao final da tarde.
Da parte da manhã prevê-se uma reunião da Conferência de presidentes do Parlamento Europeu, que junta os líderes parlamentares de todos os grupos políticos, para análise dos re-
sultados do sufrágio, que ditou o fim da hegemonia (maioria absoluta) do Partido Popular Europeu e Socialistas na assembleia. Numas negociações que se antecipam complexas, dada a maior fragmentação do Parlamento Europeu - que exigirá novas alianças -, a grande dúvida reside na adesão do Conselho Europeu ao modelo “Spitzenkandidat”, nomeadamente em saber se os líderes europeus irão propor para a presidência da Comissão Europeia, um dos candidatos principais apresentados pelas diferentes famílias políticas nas eleições deste ano.

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