Mundo

Partidos saem às ruas para a “caça” ao voto

Os moçambicanos iniciam hoje a campanha para as eleições gerais de 24 de Outubro. Durante 45 dias, os 26 partidos políticos vão desdobrar-se em todo o território para a “caça” ao voto.

Partidos políticos moçambicanos iniciam hoje a campanha para tentar convencer o eleitorado
Fotografia: DR

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) moçambicana disponibilizou 180 milhões de meticais, equivalentes a cerca de 2,8 milhões de dólares, para os partidos políticos que concorrem ao pleito de 15 de Outubro, devendo cada um deles justificar em que foi aplicado o valor.
“São 180 milhões de meticais que já estão a ser distribuídos. O valor será dividido em partes iguais para as três eleições. Isto é, a presidencial, da Assembleia da República e a dos membros das assembleias provinciais”, disse ontem à Lusa o porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, explicando que o fundo será distribuído em três parcelas e cada partido deverá justificar como foi aplicado o dinheiro, para garantir que lhes sejam atribuídas as outras duas.
Moçambique vai ter a 15 de Outubro eleições presidenciais que vão decorrer em simultâneo com as legislativas e para as assembleias provinciais. Pela primeira vez, o país vai ter governadores eleitos e não nomeados, como acontece actualmente.
O sufrágio será o sexto na história de Moçambique, desde a introdução de uma Constituição multipartidária em 1990.

Ameaças de guerra

O líder da auto-proclamada Junta Militar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) voltou hoje, a ameaçar com uma acção militar, colocando em causa a segurança da campanha eleitoral, que tem início amanhã.
“Não haverá eleições caso o Governo moçambicano não negoceie connosco os acordos de paz”, disse Mariano Nhongo, general da Renamo, em entrevista à Lusa, um dia antes do início da campanha eleitoral.
“Se insistirem em fazer campanha, vai morrer muita gente", avisou. O também fundador da junta militar do principal partido da oposição disse que não vai assistir ao “arruinar” da democracia com a implementação dos acordos assinados a 6 de Agosto entre o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, acordos que o grupo classifica de “secretos” e “fruto de um acto de traição”, alegando terem sido rubricados à revelia de órgãos do partido. “Pensa que ao rejeitar a renegociação nós vamos para onde?” - questionou o líder da junta, salientando: “somos moçambicanos e continuamos com as armas.”
Em declarações à Lusa, Mariano Nhongo anunciou a formação de uma comissão mista, de deputados e generais da Renamo, para iniciar a renegociação dos acordos nos próximos dias, mas não avançou detalhes sobre os canais de diálogo.
“Já convidei os deputados para formar a comissão que vai negociar com o Governo”, disse em declarações por telefone a partir da Serra da Gorongosa, centro do país, acrescentando que um grupo dos parlamentares deverá dirigir-se a uma base do grupo para concertação.
Nhongo espera que a nova comissão o oficialize como novo negociador válido no diálogo com o Governo e inicie diligências para o adiamento das eleições gerais, revisão da lei eleitoral e realização de novo recenseamento.
Sobre os assuntos militares, prosseguiu Mariano Nhongo, a comissão deverá renegociar os acordos de paz e de cessação das hostilidades militares, procurando o enquadramento condigno dos guerrilheiros na Polícia, na Unidade de Intervenção Rápida (UIR), em todos os sectores do Exército e no Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), seguindo os pontos já acordados pelo líder histórico, Afonso Dhlakama, falecido em Maio de 2018.
“A junta militar tem os pontos de agenda para obrigar o Governo a regressar aos que ele tinha assinado com o falecido presidente Afonso Dhlakama”, observou.
Segundo o líder da junta militar, o grupo ainda não encetou contactos diplomáticos com Portugal e o Rwanda, países que considera exemplos de democracia e cuja mediação solicitou publicamente, além da Cruz Vermelha Internacional, para assistir o novo processo de desmobilização, desarmamento e reintegração social.
Mariano Nhongo denunciou um plano de ataque de tropas governamentais às bases do grupo na Serra da Gorongosa ao qual ponderou responder.
“Quem quer guerra é Nyusi e Ossufo. Quando houver guerra em Moçambique, o povo moçambicano que pergunte a esses dois homens”, disse Mariano Nhongo, considerando que os dois líderes traíram o espírito dos acordos alcançados por Afonso Dhlakama.

Tempo

Multimédia