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Pedro Sánchez falha investidura como PM

A Unidas Podemos anunciou poucos minutos antes do início do debate que ia abster-se durante o voto, tal como na primeira votação na terça-feira.

O líder socialista tem mais dois meses para negociar a coligação com a Unidas Podemos
Fotografia: DR

Mas, no discurso, o líder da Unidas Podemos, Pablo Iglesias, ainda fez uma última proposta: “renunciamos ao Ministério do Trabalho, se vocês nos derem as políticas activas de emprego”, afirmou, dizendo que ainda havia tempo para desbloquear a situação. Na resposta, a porta-voz do PSOE, Adriana Lastra, lembrou que essa matéria é competência das Comunidades Autónomas. “Você quer conduzir sem saber onde está o volante?” E acrescentou: “esta é a segunda vez que você vai impedir que a Espanha tenha um Governo de esquerda.”
Quando começou a votação, ficou claro que os deputados da Unidas Podemos se iam abster, o que impediu a eleição de Sánchez, que precisava apenas de uma maioria simples, isto é, mais “sim” do que “não”. Na terça-feira, precisava de maioria absoluta, ou seja, 176 votos, mas só teve 124 (os 123 do PSOE e o do Partido Regionalista da Cantábria).
O apoio do partido de Iglesias era fundamental para o líder socialista ser investido chefe do Governo, que teve o voto contra de Partido Popular, Ciudadanos, Vox, Junts per Catalunya, Navarra Suma e Coligação Canárias. As abstenções vieram da Unidas Podemos, do Partido Nacionalista Basco, do Compromís, da Esquerda Republicana da Catalunha e do Bildu.
O prazo de dois meses para conseguir um acordo e ir a um novo debate de investidura começou na votação de terça-feira, com o actual Congresso a ter até 23 de Setembro para conseguir uma investidura (Sánchez tem defendido que não cederá mais a Iglesias). Caso não seja possível um acordo, a 24 de Setembro, será dissolvido o Congresso e convocadas novas eleições para 10 de Novembro.

Ataques a Iglesias

Sánchez lembrou, no discurso no Congresso, que, para vencer, precisava do acordo com o “sócio prioritário”, Unidas Podemos, e a abstenção de um dos “partidos constitucionalistas”, referindo-se ao Partido Popular e Ciudadanos. Explicou sempre que tentou não estar dependente dos partidos independentistas catalães.
“Devo dizer que, entre forças de esquerda, a investidura devia ter estado garantida desde o primeiro dia. Com a actual aritmética parlamentar, são precisos acordos. Um acordo que não foi possível. Sinto muito pela histórica oportunidade que se esfuma de incorporar uma força de esquerda do PSOE”, disse na intervenção. />No seu discurso, Sánchez criticou a posição do líder da Unidas Podemos, acusando Iglesias de ter deixado o programa de Governo para se-gundo plano. “Existem grandes coincidências no programa social, ecológico, feminista com o programa da Unidas Podemos. Nunca houve problemas de programa que impedissem o acordo”, explicou, dizendo que “o problema foram os ministérios.”
Pedro Sánchez criticou o facto de Iglesias ter rejeitado os ministérios que lhe ofereceu, quatro pastas “de alto conteúdo social”, considerando que foi uma proposta melhor e “sensata.”
E lembrou: “não conheço precedente de um dirigente de esquerdas que se sinta humilhado diante da proposta de uma vice-presidência.” “Tenho aspirações a presidir ao Governo, mas não a qualquer preço nem qualquer Executivo. É preciso um Governo coerente e unido, não dois governos num Governo”, lançou Sánchez directamente para Iglesias, a quem acusou de querer controlar o Governo.
Dizendo que o líder da Unidas Podemos lhe disse na sexta-feira que ele não seria Primeiro-Ministro, Sánchez afirma que “se para ser primeiro-ministro, tenho que renunciar aos meus princípios, então, não serei Primeiro-Ministro agora.” E acrescentou, “entre a presidência do Governo e as minhas convicções, escolho as minhas convicções em vez de um Governo que não beneficia a Espanha.”
“Quis ser leal aos meus princípios. A Espanha superou unida as piores crises da história e voltará a fazê-lo outra vez. Voltará a superar os seus maiores desafios. Aconteça o que acontecer hoje nesta votação, a Espanha pode ter no PSOE a força para unir o país”, concluiu Sánchez antes da votação.
O líder da aliança Unidas Podemos, ao subir à tribuna, acusou Sánchez de nunca ter tratado o seu partido, possível sócio de Governo, com respeito. “É muito difícil negociar em 48 horas o que não se quis negociar em 80 dias”, disse num tom sombrio. “
É muito difícil negociar um Governo de coligação a contra-relógio e com contínuas fugas de informação para a imprensa”, acrescentou. Iglesias acusa os socialistas de divulgarem o documento das propostas da aliança Unidas Podemos, mudando contudo a palavra “propostas” para “exigências.”

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