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Pedro Sánchez tenta desbloquear impasse na formação do Governo

O Primeiro-Ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, anunciou hoje que vai voltar a encontrar-se com o líder do Unidas Podemos (extrema-esquerda), Pablo Iglesias, para tentar desbloquear o actual impasse na formação de um Governo.

Fotografia: DR

O PSOE (Partido Socialista Espanhol) ganhou as eleições legislativas de 28 de Abril com 123 deputados num total de 350, mas até agora não conseguiu os apoios necessários para assegurar a investidura de Sánchez, que se vai realizar na semana que se inicia no dia 22. Os votos do Unidas Podemos são imprescindíveis à recondução de Pedro Sánchez, depois de todos os partidos à direita do PSOE já terem confirmado que irão votar contra a sua investidura, apesar dos múltiplos apelos de Chefe do Governo de gestão para que se abstenham.

A formação de extrema-esquerda exige a entrada de dirigentes seus, como ministros, no futuro Governo espanhol, possibilidade que os socialistas recusam terminantemente, preferindo apenas o seu apoio parlamentar e avançando com a eventual concessão de lugares intermédios de poder (secretarias de Estado e direcções-gerais).

Na entrevista, Sánchez explicou que discrepâncias importantes de fundo, entre o PSOE e a Unidas Podemos, em questões de Estado, como a crise na Catalunha, levariam à paralisação de um eventual Executivo de coligação em que a extrema-esquerda estivesse presente no Conselho de Ministros.

O Chefe do Governo deu como exemplo o facto de o Unidas Podemos admitir o direito à autodeterminação daquela região de Espanha que tem um forte movimento independentista.

Mesmo com o apoio do Unidas Podemos, Sánchez terá de negociar o apoio de outros partidos ou, na pior das hipóteses, a sua abstenção numa segunda volta, quando apenas precisar da maioria dos votos expressos.

“Precisamos de ter um Governo que não dependa das forças independentistas”, disse Sánchez, numa alusão ao Executivo anterior, da sua responsabilidade, que inicialmente recebeu o apoio dos partidos separatistas presentes no Parlamento, que acabaram por ser os principais responsáveis pela sua queda ao retirar-lhe o apoio. O Chefe do Governo espanhol voltou a pedir à direita, PP (Partido Popular) e Cidadãos (Liberais), que “facilitem a formação do novo Executivo através da sua abstenção, mostrando-se mesmo “disposto a negociar” essa posição.

“Não contemplo nem trabalho com um cenário de repetição eleitoral”, assegurou Sánchez, ao mesmo tempo que criticava a direita por “não deixar de falar de constitucionalismo e sentido de Estado, mas impede a constituição de um Governo.” A falta de progressos para formar Governo, três meses depois das eleições legislativas, leva os analistas a avançarem cada vez mais com a possibilidade de que seja marcada uma nova consulta eleitoral.

Nas legislativas de 28 de Abril, os socialistas foram o partido mais votado, com quase 29 por cento dos votos, mas outros quatro partidos tiveram mais de 10 por cento, acentuando a grande fragmentação política do país. O PSOE tem 123 deputados eleitos (28,68 por cento dos votos), o PP 66 (16,70), o Cidadãos 57 (15,86), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31), o Vox (extrema-direita) 24 (10,26), tendo os restantes sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.

Supremo confirma rebelião de Puigdemont

O Tribunal Supremo de Espanha confirmou a situação de rebelião de Carles Puigdemont e os seus antigos conselheiros Clara Ponsatí, Lluís Puig, Toni Comín e Meritxell Serret, segundo o “Catalunya Press”. A declaração de rebeldia por parte do juiz do Supremo, Pablo Llarena, tinha acontecido há um ano.

O Supremo também ratificou a aplicação do artigo 384 da lei espanhola que já tinha resultado na suspensão do exercício de cargos públicos do antigo presidente da Generalitat e dos seus antigos conselheiros. Após analisar o recurso dos arguidos, os magistrados do Tribunal Supremo entenderam que, no que diz respeito à declaração de rebeldia, estão a ser aplicados os requisitos legais para adoptar a esta decisão.

Os magistrados acrescentam ainda que os arguidos saíram de Espanha quando tiveram conhecimento de que podiam ser alvos de um processo penal, com o objectivo de escaparem à jurisdição das autoridades espanholas. O Supremo realça ainda que quando foram emitidas as ordens de detenção, Puigdemont e os seus antigos conselheiros recusaram entregar-se às autoridades de Espanha.

 

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