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Pequim ameaça punir empresas americanas

Os Estados Unidos confirmaram, na terça-feira, a venda dos F-16 a Taipé, por cerca de oito mil milhões de dólares, um mês após uma outra venda de armas a Taiwan, no valor de 2,2 mil milhões de dólares, também criticada por Pequim.

Além de caças, empresas norte-americanas fornecem a Taiwan outro tipo de armamento
Fotografia: DR

Os contratos surgem numa altura de crescentes tensões nas relações entre Pequim e Washington, devido à guerra comercial que despoletou há mais de um ano.
“A China vai tomar todas as medidas necessárias para proteger os seus interesses, inclusive através de sanções contra as empresas norte-americanas envolvidas nesta venda de armas”, disse o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang.
Geng considerou a venda dos caças F-16 “uma grave interferência nos assuntos internos da China”, susceptível de “prejudicar os nossos interesses de soberania e segurança.”
Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo Governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China e funciona como uma entidade política soberana.
Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a “reunificação pacífica”, mas ameaça “usar a força” caso a ilha declare independência.
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, esclareceu que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aprovou a venda das armas.
A venda dos F-16 está “de acordo com os arranjos e relações históricas entre os Estados Unidos e a China”, disse Pompeo.
“As nossas acções estão alinhadas com as políticas anteriores dos EUA e estamos a honrar os compromissos que assumimos com todas as partes”, argumentou.
A China disse que emitiu um protesto diplomático contra a venda e pediu aos Estados Unidos que “abandonem imediatamente a venda de armas” e “cortem os contactos militares com Taiwan.”
O desejo de Taiwan de melhorar a sua capacidade de defesa aérea deve-se, sobretudo, a incursões cada vez mais frequentes de aviões chineses no seu espaço aéreo.
“Os F-16 aumentarão significativamente as nossas capacidades de defesa aérea”, disse uma porta-voz da Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen.
Taiwan possui uma frota de F-16, comprada em 1992. O contrato anual abrange aviões mais modernos e com tecnologia nova.
Taiwan receberá 66 aviões, 75 reactores, radares e várias peças de reposição que permitirão à aviação da ilha manter a frota aérea em boas condições.

Disputas comerciais

A China apelou a Washington que se “dê bem com” Pequim, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter afirmado que “alguém tinha que enfrentar a China” devido a alegadas práticas comerciais injustas.
O porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang, considerou que o comércio tem sido “benéfico para os dois países” e expressou esperança de que Washington possa encontrar um meio termo num acordo com a China, que ponha fim às disputas comerciais.
Trump e o Presidente chinês, Xi Jinping, concordaram, em Junho, retomar as negociações, visando um acordo que termine com disputas sobre políticas para o comércio e tecnologia, mas nenhum dos dois indicou estar disposto a ceder.
Questionado pelos jornalistas, na terça-feira, sobre o impacto da guerra comercial na economia dos Estados Unidos, Trump afirmou que “alguém tinha que fazer frente à China.”
Geng respondeu ontem: “desejamos que os Estados Unidos se possam dar bem connosco, para expandir a cooperação e promover as relações sino-americanas.”
Os Governos das duas maiores economias do mundo impuseram já taxas alfandegárias sobre centenas de milhares de milhões de dólares das exportações de cada um, numa guerra comercial que ameaça a economia mundial.
A China retaliou ainda ao suspender a compra de produtos agrícolas norte-americanos. Este mês, Trump anunciou que vai impor taxas alfandegárias suplementares de 10 por cento sobre um total de 300 mil milhões de dólares de importações oriundas da China, a partir de 1 de Setembro. Entretanto, recuou e disse que as taxas serão só aplicáveis sobre cerca de metade daquele valor, visando proteger os consumidores norte-americanos, por altura do Natal.
Na terça-feira, Trump reconheceu que as políticas comerciais agressivas contra a China, que têm abalado os mercados e a confiança dos consumidores, podem danificar também a economia dos EUA, mas insistiu que se trata de um mal necessário.

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