Mundo

Polícia desmantela tráfico de seres humanos em Cabo Verde

Duas estrangeiras e uma cabo-verdiana, residentes na ilha do Sal, e uma empresa foram esta semana acusadas de crimes de tráfico de seres humanos, apurou a PANA, junto de uma fonte do Ministério Público (MP) de Cabo Verde.

Procuradoria da República da Comarca do Sal regista crime de tráfico de pessoas entre nacionais e estrangeiros
Fotografia: DR

Os autos de instrução, que correram os seus termos na Procuradoria da República da Comarca do Sal, foram registados na sequência de informações chegadas ao conhecimento do MP, a dar conta de factos susceptíveis de indiciar o crime de tráfico de pessoas.
A um dos estrangeiros, de 37 anos de idade, único sócio e gerente da empresa acusada, foi imputada a prática, em co-autoria material e na forma consumada, de oito crimes de tráfico de pessoas, em concurso real efectivo com nove crimes de emprego de trabalhador estrangeiro, em situação irregular.
Ao outro estrangeiro, de 41 anos de idade, foi imputada a prática, em co-autoria material e na forma consumada, de quatro crimes de tráfico de pessoas, o MP solicitou que nos termos da legislação em vigor, lhe venha a ser aplicada, como pena acessória, a expulsão do território nacional, por um período de dez anos. Por sua vez, a cidadã cabo-verdiana, natural do concelho de Ribeira Grande de Santo Antão, de 30 anos de idade, está indiciada na prática, em co-autoria material e na forma consumada, de quatro crimes de tráfico de pessoas.
Além das acusações, o Ministério Público deduziu o pedido de indemnização civil a favor e em representação dos ofendidos, por danos patrimoniais e não patrimoniais, no montante equivalente a 85 mil dólares.
Em Novembro passado, o Procurador-Geral da República cabo-verdiano, Óscar Tavares, revelou que o MP estava a investigar casos de tráfico de pessoas para exploração sexual, nas ilhas do Sal e na Boavista, as mais turísticas do arquipélago cabo-verdiano.
Em declarações aos jornalistas, na cidade da Praia, no final da cerimónia de abertura do ano judicial, Óscar Tavares não mencionou os processos em concreto, nem se as investigações têm a ver com o mais recente caso noticiado pela agência cabo-verdiana de notícias (Inforpress), sobre o turismo sexual na ilha do Sal, que envolve Associações locais que serviam de “ponte”, entre crianças e turistas. O tráfico de pessoas em Cabo Verde é como um terceiro negócio mais rentável, a seguir ao de drogas.

 

Tempo

Multimédia