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Polícia usa gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes

A Polícia zimbabweana usou gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes em Bulawayo, no Sul do Zimbabwe, no segundo dia de protestos contra a subida dos preços de combustíveis decretada pelo Governo.

Elevado número de manifestantes invadiu as ruas
Fotografia: Dr

Um elevado número de manifestantes invadiu, pelo segundo dia consecutivo, as ruas da segunda maior cidade do país, considerada  bastião da oposição ao regime, pilhou lojas e exigiu a demissão do Presidente Emmerson Mnangagwa, avançou a agência France Press (AFP).
Os sistemas de telecomunicações, incluindo o acesso à Internet, foram bloqueados ontem em todo o país, pelo próprio Governo, de acordo com declarações de uma fonte da operadora telefónica, à AFP. “Não temos equipamento para o fazer, portanto, adivinhem quem o fez”, disse sob anonimato.
A autoridade local de re-gulação da Internet desmentiu  qualquer interferência no sistema. “Não fui informado da existência de qualquer problema”, afirmou à AFP, o director-geral da instituição, Gift Machengele.
Várias pessoas foram mortas no Zimbabwe, na segunda-feira, durante manifestações violentas contra a subida do preço dos combustíveis.
No primeiro dia, de uma greve geral de três, a Polícia dispersou centenas de pessoas que bloquearam as estradas e pilharam estabelecimentos comerciais, nas duas maiores cidades do país, Harare e Bulawayo.
Estas operações “provocaram perdas de vidas e bens, assim como pessoas feridas entre as forças policiais e a população”, anunciou ao final da tarde de segunda-feira o ministro da Segurança, Owen Ncube, sem detalhar o número de vítimas.No sábado à noite, Mnangagwa anunciou a multiplicação dos preços da gasolina por 2,5, na esperança de reduzir o consumo e os tráficos associados à desvalorização da moeda. Esta subida exaltou os ânimos, com numerosos zimbabweanos a recearem a subida generalizada dos preços.
A Confederação Sindical do Zimbabwe apelou à população para parar o trabalho até quarta-feira.
Importantes efectivos militares foram deslocados, no início da greve geral, para vários bairros de Harare e Bulawayo.

Greve
Um grupo de 13 trabalhadores moçambicanos, da Embaixada do Zimbabwe em Maputo, está em greve desde segunda-feira, por falta  de salários há três meses, disse à agência noticiosa Lusa  um dos funcionários.“Há três meses que não estamos a receber. Passámos as festas de Natal e Ano Novo, de qualquer maneira, com as nossas famílias”, disse um dos funcionários, que não quis ser identificado.
A greve começou na segun-da-feira, depois da missão diplomática falhar a promessa de liquidar os ordenados em falta, na sexta-feira.
“O embaixador, que disse não haver problemas, confirmou que todas as missões receberam os valores, menos Moçambique, mas que até sexta-feira, a situação estaria resolvida”, declarou a fonte.
Os trabalhadores reclamam, também, o facto de es-tarem há dez anos sem aumentos salariais.
“Desde há três anos que temos passado por situações difíceis. Para receber o salário é um problema, temos de fazer barulho e não explicam o que está a acontecer”, acrescentou. A Lusa tentou ouvir uma fonte da Embaixada, mas sem sucesso.

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