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Portugal a votos com previsão de abstenção alta

Guilhermino Alberto | Lisboa

Os portugueses são hoje chamados às urnas para eleger os deputados à Assembleia da República e entre António Costa, do Partido Socialista, e Passos Coelho, da Coligação Portugal à Frente, quem vai ser o primeiro-ministro de Portugal nos próximos quatro anos.

Líder socialista discursou para milhares de apoiantes no último dia de campanha e apelou ao voto dos indecisos e abstencionistas
Fotografia: Kindala Manuel

As múltiplas sondagens divulgadas nos últimos dias vaticinam que nenhum dos partidos deve conseguir maioria absoluta, por força dos elevados níveis de abstenção, que podem superar os 30 por cento dos 9,6 milhões de eleitores inscritos.
A campanha eleitoral para as legislativas terminou oficialmente à meia noite de sexta-feira e ontem o dia esteve reservado à reflexão. Por força da lei eleitoral não podiam ser realizados comícios ou qualquer acção de campanha ou a divulgação de sondagens, que na sexta-feira davam vantagem à coligação PSD/CDS-PP, de Passos Coelho e Paulo Portas.
António Costa, o candidato do Partido Socialista, realizou no último dia de campanha um comício em Lisboa que reuniu milhares de pessoas. O antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa fez na ocasião o apelo final aos indecisos e aos abstencionistas a não deixarem o próximo Governo “na vontade do Presidente da República”.
O candidato socialista, que concorre sem alianças à esquerda, rejeitou já a possibilidade de uma coligação de governo de partidos de esquerda caso saia vitorioso, falando apenas de possíveis acordos pontuais no Parlamento.
Em caso de vitória da coligação de direita, António Costa também deixou claro, durante a campanha, que não vai dar suporte parlamentar a um governo de maioria simples do primeiro-ministro cessante Pedro Passos Coelho, aumentando assim as dúvidas sobre a estabilidade do próximo governo português.
De acordo com os constitucionalistas portugueses Jorge Bacelar Gouveia e Pedro Bacelar Vasconcelos, num cenário eleitoral que não resulte em maioria absoluta de um partido ou coligação, o Governo subsequente até pode ser formado por um partido menos votado que garanta acordos parlamentares de amplitude suficientemente forte para governar com estabilidade.
Se António Costa já definiu as linhas políticas que o Partido Socialista vai seguir depois das eleições legislativas que têm lugar hoje e cujos resultados são divulgados a partir das 20 horas, a mesma hora em Angola, Passos Coelho, o primeiro-ministro cessante, no último comício realizado na cidade do Porto, a segunda maior praça eleitoral do país depois de Lisboa, apelou ao voto na estabilidade.
Passos Coelho enquadrou o pedido de uma maioria no Parlamento como “uma questão nacional” e não “uma questão partidária”, mas durante a campanha não afastou a possibilidade de fazer alianças para governar Portugal.
Instituições financeiras que suportam o programa económico de Portugal antecipam que independentemente do resultado das eleições de hoje, o panorama político em Portugal deve continuar a ser marcado pela “estabilidade”, embora uma vitória com maioria absoluta da coligação PSD/CDS (Portugal à Frente) representava “o resultado mais amigo do mercado, ao garantir a continuidade das políticas de estabilidade económica”, seguidas pelo governo cessante.
O Deutsche Bank  da poderosa Alemanha considera que tanto “um Governo de minoria centro-direita, uma grande coligação de bloco central, ou um Governo socialista, não são automaticamente pontos negativos”.
A Assembleia da República é o órgão legislativo do Estado português. É composta por 230 deputados, eleitos por círculos plurinominais, para mandatos de quatro anos. Os portugueses que residem no estrangeiro estão reunidos em dois grupos: Europa e Resto do Mundo, cada um deles elege dois membros da Assembleia. A cidade de São Paulo, no Brasil, com 244 mil eleitores inscritos, é a maior praça eleitoral no Resto do Mundo. Na corrida por um lugar na Assembleia da República estão inscritos candidatos de 16 forças políticas, três das quais coligações e as restantes 13 partidos.
Concorrem para as eleições legislativas, cuja campanha custou a todos os partidos 8,8 milhões de euros, o Partido Socialista (PS), Coligação Portugal à Frente (PSD-CDS-PP), Bloco de Esquerda (BE), CDU, Livre/Tempo de Avançar, Juntos pelo Povo (JPP), Nós, Cidadãos! (NC), Portugal Pro Vida, Cidadania e Democracia Cristã (PPV/CDC), Partido da Terra (MPT), Partido Democrático Republicano (PDR), Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), Partido Nacional Renovador (PNR), Partido Unitário dos Reformados Portugueses (PURP), Partido Popular Monárquico (PPM) e Pessoas-Animais-Natureza (PAN).
Para organizar as eleições, o Estado português gastou 8,5 milhões de euros. As verbas mais significativas foram destinadas ao pagamento dos membros das mesas de voto e indemnizações às estações de rádio e televisão pela emissão dos tempos de antena, segundo a Comissão Nacional de Eleições. Cada membro das mesas de voto ganha 50 euros.
São 11.800 as mesas de voto espalhadas pelo país, compostas por cinco membros. Os presidentes das câmaras municipais definem os locais onde são instaladas as mesas de voto.

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