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Presidente da Renamo ameaça voltar à guerra

O presidente da Renamo, Ossufo Momade, considerou que Moçambique se arrisca a voltar a um novo conflito caso o Conselho Constitucional valide os resultados eleitorais de 15 de Outubro, noticiou hoje a Lusa.

O líder da Renamo insiste em não reconhecer os resultados das eleições gerais de Outubro
Fotografia: DR

“Se quiserem salvar Moçambique, estas eleições devem ser anuladas. O Conselho Constitucional deve, através do nosso recurso, respeitar a vontade do povo moçambicano”, disse Ossufo Momade, falando durante um comício, quarta-feira à tarde, na cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
Durante a intervenção, o líder do principal partido da oposição em Moçambique afirmou que a Renamo não está interessada na guerra, advertindo, no entanto, que “não tem medo da guerra.”
“Não vamos aceitar que um punhado de pessoas altere aquilo que é a vontade dos moçambicanos”, frisou Ossufo Momade. O líder da Renamo reiterou que os grupos que têm protagonizado ataques armados contra viaturas no centro do país, na estrada nacional nº 1, não são da Renamo, contrariando a versão das autoridades moçambicanas que têm responsabilizado o braço armado do partido pelos ataques, que já provocaram, pelo menos, 10 mortos.
“Aquele grupo que está a disparar no centro de Moçambique não está ligado à Renamo. Nós respeitamos aquilo que assinámos no dia 6 de Agosto (Acordo de Paz e Reconciliação assinado em Maputo), mas não vamos deixar que se altere a vontade do povo”, frisou.
Ossufo Momade acusou a Frelimo de estar a tentar “empurrar o país para a guerra” com a alegada fraude nas eleições. “Querem-nos na guerra para que eles fiquem a roubar”, concluiu o líder da Renamo.
Os resultados eleitorais anunciados pela Comissão Nacional de Eleições deram larga vantagem à Frelimo, cujo candidato foi reeleito à primeira volta para um segundo mandato como Presidente, com 73 por cento dos votos.
Para o Parlamento, a Frelimo conseguiu eleger 184 dos 250 deputados, ou seja, 73,6 por cento, mais de dois terços dos lugares necessários para aprovar alterações constitucionais.

Nyusi diz que existe“tudo para dar certo”

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse, quarta-feira, que o país não pode continuar a acomodar conflitos, porque “tem tudo para dar certo” com investimentos em gás e petróleo capazes de o “tornar próspero rapidamente.”
“Não podemos continuar distraídos a acomodar conflitos, a dificultar o futuro e o crescimento de uma nação que pode ser próspera muito rapidamente”, com o impulso dos investimentos em gás natural, acrescentou Filipe Nyusi citado pela Lusa.
O Chefe de Estado falava na abertura da VI cimeira de Gás de Moçambique, evento anual que junta empresas do sector, numa altura em que o país está a três anos de iniciar a produção e exportação de gás natural liquefeito (GNL). Filipe Nyusi fazia o apelo à segurança numa altura em que há ameaças no centro e no norte do país.
No centro, grupos armados já mataram 10 pessoas desde Agosto em ataques contra civis e autoridades, num reduto de guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana, oposição, que se dividiram. No norte, uma vaga de ataques que teve origem em mesquitas radicalizadas da província de Cabo Delgado já terá causado 300 mortos na região onde nascem os mega projectos de exploração de GNL.
“Cada moçambicano é chamado a ter essa responsabilidade individual e colectiva”, de defender a paz e a segurança do país, “porque é desta responsabilidade que o país pode evoluir”, referiu Nyusi, reeleito em 15 de Outubro para um segundo mandato de cinco anos.
Os mega projectos de exploração de gás natural liquefeito vão arrancar em 2022 e devem colocar Moçambique entre os maiores produtores mundiais nos dez anos seguintes, prevendo o FMI que a economia do país pode chegar a crescer mais de 10 por cento ao ano.
Os investimentos na ordem dos 50 mil milhões de dólares são feitos por dois consórcios que operam nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, ao largo da costa norte de Moçambique, liderados pelas petrolíferas Total, Exxon Mobil e Eni.

 

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