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Presidente dos EUA ameaça travar ajuda aos imigrantes

Os democratas da Câmara dos Representantes aprovaram recentemente um pacote de 4,5 mil milhões de dólares para ajuda humanitária aos imigrantes na fronteira do Sul dos Estados Unidos. Mas a medida terá agora de ser aprovada no Senado, que é controlado pelos republicanos

Centenas de menores permanecem separados dos progenitores em centros de detenção
Fotografia: DR

E, finalmente, a Casa Branca já disse que o Presidente será aconselhado a vetar o projecto de lei se este chegasse à sua secretária “na sua forma actual”.
Isto porque os democratas fizeram questão de deixar bem definido no projecto de lei que o dinheiro deve ser usado em ajuda humanitária e não na construção de um muro para deter imigrantes nem entregue a agências envolvidas na política de “tolerância zero” de Donald Trump.
“As políticas cruéis de imigração do Presidente que destroem famílias e aterrorizam as comunidades exigem as rigorosas salvaguardas deste projecto para garantir que estes fundos serão usados apenas para necessidades humanitárias”, disse a representante Nita M. Lowey.
O debate que antecedeu a aprovação da lei foi intenso, pois os democratas e republicanos têm visões muito distintas sobre as políticas de imigração, porém a medida acabou por ser aprovada num momento em que se agudizaram as críticas ao modo como as crianças filhas de imigrantes estão a ser tratadas nos EUA.
“Isto não é uma lei de imigração”, afirmou a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi. “É uma lei com dotações para fazer frente às necessidades das crianças.”

Abuso infantil

A política de “tolerância zero” de Donald Trump foi anunciada no início de 2018. A detenção dos imigrantes que passam ilegalmente a fronteira para o EUA teve como consequência a separação das crianças dos pais. Apesar de haver uma ordem judicial para que as famílias sejam reunidas, a verdade é que centenas de crianças continuam em abrigos governamentais.
Recentemente, um grupo de advogados teve acesso a um desses abrigos em Clint, no Texas, a cerca de meia hora de carro de El Paso, junto à fronteira com o México, e testemunhou as péssimas condições em que vivem as crianças - “fechadas em celas horríveis, sobrelotadas, com uma instalação sanitária, aberta, no meio”, no mesmo local onde comem e dormem. Os advogados, “mostraram-se chocados” por terem encontrado mais de 250 bebés, crianças e adolescentes “a tentar tratar uns dos outros e sem terem suficiente comida, água e saneamento”, noticiou a Associated Press. Foram vistas crianças com menos de 10 a tomar conta de bebés. Naquele centro, não existiam camas e as crianças não tinham escovas de dentes nem sabão.
O local está operacional há seis anos e serve, sobretudo, como apoio para agentes em patrulha, mas é um sítio pouco investigado pelos advogados de imigração que actualmente estão “a levantar a voz” contra os campos de detenção em massa nos Estados Unido, os quais podem ter mais, cada um, de dois mil adolescentes detidos.
A advogada Toby Gialluca, que visitou os recentementes adolescentes e bebés em McAllen, também no Estado do Texas, afirmou que todos os entrevistados “estavam muito doentes, com febre alta, tosse e vestiam roupas sujas”, após a longa viagem que fizeram. “Todos estavam doentes. Todos. Usavam as suas roupas para limpar o muco e os vómitos das crianças e a maioria não está completamente vestida”, salientou. Os adolescentes em McAllen afirmaram que lhes deram sanduíches de presunto congeladas e comida estragada, adiantou a advogada.
Nos dois centros, as crianças contaram aos advogados que os guardas instruíam as meninas com apenas 8 anos a cuidar dos bebés e das crianças mais pequenas.Os centros de apoio fronteiriços foram projectados para ter as pessoas até três dias, mas algumas crianças estão em Clint e McAllen há semanas. Legalmente, os imigrantes menores de 18 anos devem ser transferidos para o Serviço de Realojamento de Refugiados no prazo de 72 horas, alertaram os advogados.
“Isto é abuso infantil”, acusou a democrata Nancy Pelosi. “É uma atrocidade que viola todos os valores que nós defendemos, não apenas como americanos mas como seres humanos.” Na sequência das críticas sobre as condições das crianças nos centros de detenção, o comissário do Serviço de Fronteiras, John Sanders, anunciou a sua demissão.
Muitos imigrantes, tentando escapar à polícia e a uma eventual detenção, optam por entrar no país sem passar pelos postos fronteiriços, com todos os riscos que isso implica - na semana passada foram encontradas vários corpos, alguns deles de crianças, no Rio Grande, de imigrantes que provavelmente sucumbiram à exaustão durante a dura travessia. As organizações humanitárias dizem que dezenas de pessoas já morreram este ano no Rio Grande.

 

 

 

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