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Presidente Salva Kiir proíbe manifestações

Victor Carvalho

O Governo do Sudão do Sul ordenou, de modo excepcional mas com efeitos imediatos, a proibição da realização de manifestações em todo o país e a imposição de restrições ao horário de funcionamento de bares e discotecas, locais que a partir de agora somente podem estar abertos quatro horas por dia, entre 17 e 21 horas.

Presidente sul-sudanês diz que a Polícia tem ordens para disparar contra manifestantes
Fotografia: DR

Esta decisão, segundo as autoridades, visa evitar os distúrbios nocturnos que habitualmente ocorrem no país depois das pessoas ficarem embriagadas e que acabam, por variadas vezes, em cenas de uma enorme violência geradora de manifestações de rua.
Por outro lado, as intenções das autoridades são também as de evitar o aumento da prostituição que se tem verificado na cidade de Juba e que resulta do agravamento das condições sociais da população, sobretudo a mais jovem.
Augustino Jadalla Wani, governador do Estado de Jubek, onde a capital do país, Juba, está incluída, teve recentemente um encontro com a Polícia onde deu orientações para que esse horário seja religiosamente cumprido e punidos todos os que o violarem.
O major-general Daniel Justin, porta-voz da Polícia, disse que a corporação recebeu centenas de mensagens de felicitações e de incentivo, por parte da população de Juba, para levar por diante as ordens emitidas pelo Governo. O Presidente Salva Kiir voltou ontem a recordar que a Polícia tem ordens para disparar contra quem participar em protestos contra o Governo, depois de activistas terem convocado para este fim-de-semana várias manifestações semelhantes às que têm ocorrido no vizinho Sudão.
Falando por ocasião da inauguração de instalações que vão permitir a melhoria da ligação do país à Internet, o Presidente Salva Kiir sublinhou que as manifestações contra o Executivo podem “levar à morte de pessoas, caso o Governo confirme as ordens para que sejam usadas armas automáticas por parte da Polícia”.
Salva Kiir garantiu que não vai permitir “a instalação do caos entre o país e o exterior” e acusou activistas estrangeiros de incentivarem a convocação destes protestos.
As ameaças surgem uma semana depois de grupos de activistas terem convocado, sem êxito, manifestações na capital sul-sudanesa, Juba, através das redes sociais e como tentativa de desmobilizar eventuais novas tentativas de protestos que estavam marcados para hoje. Os protestos de há uma semana em Juba fracassaram devido ao destacamento do Exército e da Polícia nas ruas da capital, mas de acordo com os activistas, as forças de defesa e segurança detiveram muitos jovens mobilizados através das redes sociais. No seu discurso, Salva Kiir acrescentou que “os jovens têm de evitar o mau uso das redes sociais”, e pediu que não sigam os activistas que, no estrangeiro, os incitam a manifestar-se.
O Sudão do Sul, com maioria de população cristã, obteve a independência ao separar-se do norte árabe e muçulmano em 2011, mas a partir do final de 2013 o país entrou num conflito civil, provocado pela rivalidade entre o Presidente, Salva Kiir, e o seu então Vice-Presidente, Riek Machar.
As partes formaram um Governo de unidade nacional em 2016, que caiu poucos meses depois devido ao reinício da violência, tendo essa sido a primeira tentativa de pacificação do jovem país africano. O acordo para a criação de um Governo unitário com os rebeldes, aprovado em Setembro do ano passado, foi o mais recente de uma série de outros assinados entre o Executivo de Salva Kiir e os rebeldes liderados por Machar desde o início da guerra civil, em 2013.
Em quase seis anos de conflito armado, estima-se que este tenha provocado a morte de 400 mil pessoas e levado a que quatro milhões se deslocassem das suas zonas de origem.

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