Mundo

Primeiro-Ministro em guerra aberta com o próprio partido

A rebelião e a deserção de deputados britânicos prosseguem enquanto a Câmara dos Lordes debate a proposta de lei para travar um “No Deal Brexit” a 31 de Outubro e, se preciso for, adiar a saída da UE até 31 de Janeiro de 2020

Jo Johnson (à esquerda) abandonou o Governo liderado pelo irmão, Boris Johnson (à direita)
Fotografia: Dr

Jo Johnson, irmão do Primeiro-Ministro britânico, anunciou hoje que abandona o cargo de secretário de Estado da Economia, da Energia e da Estratégia Industrial e o lugar de deputado por Orpington, a circunscrição pela qual tem sido eleito pelos conservadores ao longo dos últimos nove anos.
Numa mensagem deixada no Twitter, Jo Johnson, de 47 anos, diz-se dividido entre a família e o interesse nacional. “Foi uma honra representar Orpington durante nove anos e servir como secretário de Estado de três primeiros-ministros. Nas últimas semanas, senti um conflito entre o dever de lealdade familiar e o interesse nacional - é uma tensão que não tem solução e, por isso, é tempo de outros assumirem os meus cargos como deputado e secretário de Estado.”
Jo Johnson é, juntamente com Rachel e Leo Johnson, um dos três irmãos de Boris Johnson. Parte da família de Boris Johnson é politicamente activa, sendo o pai, Stanley Johnson, igualmente membro do Partido Conservador e um antigo eurodeputado que fez campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia no referendo de 23 de Junho de 2016 (que deu 52 por cento a favor do “Brexit” e 48 a favor da permanência na UE). Rachel concorreu sem sucesso pelo Change UK! nas eleições europeias de Maio, depois de passagens como militante pelo Partido Conservador e pelos liberais-democratas.
O chefe do Governo está em guerra aberta com o próprio partido e com a Câmara dos Comuns por causa da saída do Reino Unido da UE.
Até agora, o líder conservador já tinha visto 21 rebeldes passarem para o lado da oposição para travar um “No Deal Brexit”, mesmo depois de terem sido ameaçados por si de expulsão das listas do partido nas próximas eleições legislativas. Um deles, Phillip Lee, médico de formação, desertou para a bancada dos liberais-democratas, na altura em que Boris discursava no Parlamento.
Já no passado, em protesto contra Theresa May, alguns conservadores tinham saído do Partido Conservador, formando, primeiro o Grupo Independente e depois, nas eleições europeias, passou a Change Uk!.
O mesmo aconteceu com alguns trabalhistas, em protesto contra Jeremy Corbyn, o líder do Labour. Foi o caso de Luciana Berger, que voltou a mudar de ideias e hoje anunciou, no Twitter, que também passou para o lado dos liberais-democratas. “Tenho muito prazer em anunciar que me juntei aos liberais-democratas de Jo Swinson, o partido mais forte para travar o “Brexit”, para lutar pela igualdade e por um país mais justo.”
Na última sondagem, realizada a 2 e 3 de Setembro, os liberais-democratas surgem como o terceiro partido com 16 por cento das intenções de voto, atrás do Labour, com 25, e dos Tories, com 35.
O Partido do Brexit de Nigel Farage está em quarto lugar, com 11 por cento, seguido dos Verdes, com 7, do Partido Nacionalista Escocês, com 4, do Plaid Cymru e do Ukip, antigo partido de Farage, ambos com 1 por cento. O Change Uk surge com 0 por cento.
Na quarta-feira, o Primeiro-Ministro conservador saiu derrotado dos Comuns: os deputados, conservadores incluídos, votaram a favor da Lei Benn para travar um “No Deal Brexit” e contra a moção de Boris a pedir eleições antecipadas a 15 de Outubro.
O Labour de Corbyn absteve-se na parte da moção das eleições e o chefe do Governo constatou que o dirigente trabalhista foi o primeiro líder da oposição a recusar ir a eleições antecipadas pela primeira vez na história. Alguma imprensa britânica chamou cobarde a Corbyn.
O líder trabalhista disse, nos debates, no Parlamento, na quarta-feira, que aceita eleições antecipadas mas só depois de estar aprovada e publicada a Lei Benn. Assim, as eleições poderiam ser em Novembro, não a 15 de Outubro, como queria Boris. Isso obrigaria Londres a pedir um novo adiamento do “Brexit”. Boris diz que nunca o fará. Mas o que fará a seguir ainda não é, para já, conhecido.

Tempo

Multimédia