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Príncipe herdeiro pode estar envolvido

Um relatório da ONU, divulgado ontem, diz haver “fortes indícios” de que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, está envolvido na morte do jornalista Jamal Khashoggi.

Fotografia: DR

O relatório é da autoria de Agnes Callamard, especialista em direitos humanos, que conclui que, além do príncipe, outros altos oficiais também intervieram.
Callamard liderou um inquérito internacional à morte do jornalista, que foi assassinado em Outubro na Embaixada da Arábia Saudita em Istambul (Turquia), e diz que há várias evidências de que se tratou de um crime “planeado e executado” por oficiais sauditas.
O documento expõe dezenas de recomendações e pede ao Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, para “exigir” avanços na investigação criminal do caso.
“O jornalista Jamal Khashoggi foi vítima de uma execução deliberada e premeditada, um assassinato extrajudicial pelo qual o Estado da Arábia Saudita é responsável, aos olhos da lei internacional dos Direitos Humanos”, afirmou Agnes em declarações à imprensa.
Agnes Callamard fala de “extrema sensibilidade” quando se refere à eventual responsabilidade do príncipe saudita e de Saud Algahtani, conselheiro do reino, que não foi acusado.
“Não há conclusões sobre a culpa”, escreve a autora do relatório, quando se refere aos dois homens.
“A única conclusão é a de que existem provas credíveis que obrigam a mais investigações”, indica o documento.
Khashoggi, jornalista saudita residente nos Estados Unidos desde 2017, era apontado como uma das vozes mais críticas da monarquia saudita.
Jamal Khashoggi, 60 anos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul no dia 2 de Outubro para obter um documento para casar com uma cidadã turca e nunca mais foi visto.

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