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Prisão preventiva para opositor zimbabweano

Um alto responsável do principal partido da oposição do Zimbabawe, Movimento para a Mudança Democrática (MDC), acusado de traição e de tentar derrubar o Governo, vai ficar em prisão preventiva até ao dia 24 de Julho.

Fotografia: DR

Segundo a Organização Não-Governamental (ONG), uma associação dos Advogados do Zimbabué pelos Direitos Humanos (ZLHR), um juiz do tribunal de Bikita (província de Masvingo, sudeste) decidiu que Job Sikhala, 47 anos e secretário-geral-adjunto do MDC, ficará sob custódia até 24 de Julho, depois de ter sido acusado de “subverter o Governo constitucional”.
Job Sikhala ficará detido na prisão de Masvingo. A ZLHR, que representou Job Sikhala, apresentou em tribunal várias queixas contra a Polícia Republicana do Zimbabwe perante o juiz Marewanazvo Gofa, afirmando que o opositor terá sido vendado, impossibilitado de contactar os seus advogados, familiares ou de aceder a medicação.
A associação de advogados apresentou um pedido de libertação sob fiança. Job Sikhala entregou-se à Polícia na manhã de segunda-feira e foi acusado de tentar derrubar um Governo eleito constitucionalmente.
Citado pelo diário NewsDay, jornal sediado na capital zimbabweana, Harare, Job Sikhala terá dito que o MDC pretende derrubar o Presidente do país, Emmerson Mnangagwa, antes do fim do mandato, em 2023.
Com a saída do antigo Chefe de Estado Robert Mugabe, em 2017, muitos zimbabweanos esperavam um cenário político mais tolerante, impulsionado pela vontade de Mnangagwa em obter investimento estrangeiro.
Ainda assim, os críticos do Governo têm sido alvo frequente das forças policiais e de segurança, num momento em que o país parece voltar a aprofundar a crise que vive há mais de uma década.
O Governo, do partido União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF), considerou as declarações de Sikhala como um “discurso incendiário de insurgência”.
No poder desde o afastamento de Robert Mugabe, em Novembro de 2017, Mnangagwa venceu as eleições presidenciais de 30 de Julho do ano se- guinte e prometeu relançar a economia e lutar contra a corrupção.
O seu mandato tem sido marcado por manobras de opressão pelas forças de segurança e uma crescente inflação, que em Maio chegou aos 98 por cento.

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