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Protestos contra Alpha Condé agitam bairros de Conacri

Confrontos esporádicos entre manifestantes e a Polícia eclodiram, na terça-feira ao final da tarde, em vários bairros de Conacri, capital da Guiné Conacri, durante uma jornada de mobilização contra a candidatura do Presidente Alpha Condé a um terceiro mandato, noticiaram, hoje, agências internacionais.

Aos 82 anos Alpha Condé é confirmado como candidato a um terceiro mandato
Fotografia: DR

As autoridades tinham proibido a mobilização que deveria assinalar, menos de três semanas antes das eleições presidenciais de 18 de Outubro, a entrada numa nova fase da contestação que dura há um ano. A Frente Nacional de Defesa da Constituição (FNDC), que lidera o protesto, anunciou que um dos seus líderes, Oumar Sylla, tinha sido preso e levado para uma esquadra de Polícia, uma detenção confirmada pelo próprio Governo.

Um correspondente da agência France-Press testemunhou que viu uma dúzia de jovens serem presos e levados pelas forças de segurança. Em Bailobaya, na periferia da capital, os jovens ergueram barricadas, derrubaram caixotes do lixo, queimaram pneus e deitaram óleo de motor na estrada principal, que liga os subúrbios e o centro da cidade.

Cenas semelhantes ocorreram nos subúrbios de Matoto e Hamdallaye, onde agentes da lei tentaram levantar barricadas e perseguiram os jovens pelas ruas, utilizando gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes que respondiam com pedras. O FNDC relatou outros confrontos semelhantes, no Oeste do país.

O movimento tem mobilizado milhares de guineenses para as ruas desde Outubro de 2019 para tentar impedir que o Presidente Condé seja eleito pela terceira vez. Ao longo do ano, os protestos terminaram em confrontos e foram severamente reprimidos várias vezes, o que resultou na morte de dezenas de civis.

Para ontem, estava previsto mais um protesto, mas foi proibido, com as autoridades a dizerem que queriam reservar o espaço público para os partidos durante a campanha eleitoral. Condé foi o primeiro Presidente democraticamente eleito da Guiné Conacri em 2010 após décadas de regimes autoritários e reeleito em 2015.

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