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Protestos contra o Presidente da Libéria junta milhares na cidade de Monróvia

Milhares de manifestantes saíram hoje às ruas na capital da Libéria, Monróvia, num protesto contra o Presidente George Weah, e a situação económica do país, com um bloqueio às redes sociais a ser também alvo de críticas.

Manifestantes referem que as forças policiais estão a impedir alguns protestos e a bloquear o acesso a vários locais em Monróvia
Fotografia: DR

Segundo a Lusa, embora o Chefe de Estado afirme que os protestos representam um direito constitucional dos cidadãos, manifestantes referem que as forças policiais estão a impedir alguns protestos e a bloquear o acesso a locais caso não tenham consigo documentos de identificação.
"George Weah tem de ouvir o chamamento do povo", referiu Joseph Moore, um manifestante de 65 anos citado pela agência Associated Press (AP).
Segundo o observatório de "Internet Netblocks.org", as redes e plataformas sociais Twitter, Facebook, Instagram, Snapchat e WhatsApp não estão a funcionar para os clientes liberianos da empresa de telecomunicações Orange.
O grupo, que rastreia interferências de governos no acesso à Internet durante períodos politicamente sensíveis, referiu também que a ligação ao portal "online" da AP foi bloqueada pela Lonestar, principal fornecedor de serviço "web" no país.
George Weah, antiga glória do futebol mundial, chegou à liderança do país em Janeiro de 2018 e desde então tem sido alvo de críticas. Um dos principais alvos tem sido a forma como a economia do país tem sido tratada, que levou a uma desvalorização da moeda.
Na semana passada, Weah alertou os liberianos sobre os perigos da instabilidade política, afirmando que poderá "empurrar a Libéria para tempos tenebrosos", referindo-se às guerras civis que terminaram em 2003 e ao surto de Ébola que atingiu o país entre 2014 e 2016.
O Chefe de Estado diz que está consciente das dificuldades enfrentadas pelo povo da Libéria e que os manifestantes têm direito a protestar. "Isto não é o Sudão, onde um homem liderou por 30 anos e agora os militares estão no controlo", afirmou, acrescentando: "O nosso compromisso com os princípios democráticos é forte".
Uma das principais queixas dos manifestantes concerne num escândalo financeiro, que dizem ter levado à depreciação do dólar liberiano. Cerca de 25 milhões de dólares (22 milhões de euros) terão sido retirados das reservas monetárias do país para serem injectados na economia local, mas uma auditoria refere que o destino dos fundos não é claro.
O ministro das Finanças da Libéria negou a existência de qualquer fraude. Os manifestantes requerem ainda o estabelecimento de um tribunal para o julgamento de crimes de guerra para responsabilizar os autores de atrocidades durante os conflitos civis.
O antigo Presidente Charles Taylor foi considerado culpado de crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), embora a acusação se referisse a atrocidades na vizinha Serra Leoa.



 

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