Mundo

PRS pretende impedir a correcção dos dados

O Partido da Renovação Social (PRS) interpôs ontem uma providência cautelar contra o Governo da Guiné-Bissau para impedir que o processo de correcções de dados dos cadernos eleitorais avance, disse à Lusa fonte partidária.

Técnicos guineenses preparam as condições para as eleições presidenciais de Novembro
Fotografia: DR

O líder da bancada parlamentar do PRS, Sola Nquilin, confirmou a entrega da acção judicial “para pedir ao tribunal que ordene ao Governo "para parar” com uma iniciativa que o partido considera “ilegal e sem bases de sustentação.”
Para o PRS, o Governo “age como se fosse dono da lei” ao ordenar que se inicie um processo “sem reunir o mínimo de consenso” dos restantes actores políticos guineenses.
Sola Nquilin sustentou que é entendimento do seu partido que a acção do Governo deve ser travada pelo tribunal, uma vez que a lei do país não prevê, “em nenhum momento”, um plano para a consolidação do registo eleitoral que foi anunciado esta semana.
O plano prevê a inclusão nos cadernos eleitorais dos nomes de cerca de 25 mil cidadãos que tinham sido inscritos, mas que por razões técnicas não puderam votar nas eleições legislativas, realizadas em 10 de Março, mas que agora o Executivo quer que possam exercer o direito cívico nas presidenciais, marcadas para 24 de Novembro.
O líder parlamentar do PRS disse que aguarda do tribunal “apenas a justiça” e que, conforme a lei, deverá haver muito brevemente uma resposta à providência cautelar.
O PRS foi o terceiro partido mais votado nas legislativas, com 21 dos 102 deputados no Parlamento guineense.

EUA querem ajudar

O embaixador dos Estados Unidos para a Guiné-Bissau, Tulinabo Mushingi, disse esta semana que o seu país está disponível para apoiar as autoridades guineenses na organização das eleições presidenciais.
“Estamos a ver como manter o foco para ir até às eleições presidenciais, que vai incluir e seleccionar vários candidatos, mas para vermos como os Estados Unidos podem apoiar financeira e moralmente o processo até atingirmos o dia 24 de Novembro”, afirmou Tulinabo Mushingi, segundo notícias da Lusa.
O embaixador, que vive em Dacar, no Senegal, falava aos jornalistas depois de um encontro com o Presidente guineense, José Mário Vaz, tendo explicado que também está a medir os “problemas potenciais” que possam impedir o processo e salientou que não é possível fazer um novo recenseamento, porque não há tempo.
“Vamos pedir aos diferentes partidos políticos para respeitarem o que temos como positivo e continuar a avançar nesse sentido”, salientou. O diplomata disse também saber que é preciso incluir 25 mil eleitores nos cadernos eleitorais, que ficaram de fora nas legislativas devido a problemas técnicos.
“Isso talvez seja um problema real e que pode ter soluções, mas não podemos começar do zero para atingir o nível do mês de Dezembro”, sublinhou.
Durante a visita a Bissau, o embaixador dos Estados Unidos reuniu-se com as autoridades guineenses e com os principais partidos políticos do país.
A Guiné-Bissau vai realizar eleições presidenciais a 24 de Novembro, tendo o partido líder da oposição, o Movimento para a Alternância Democrática (MpD), e o Partido da Renovação Social (PRS) pedido a realização de um novo recenseamento para as eleições ou uma actualização dos cadernos eleitorais.

Tempo

Multimédia