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Putin anuncia "resposta simétrica" ao ensaio de míssil dos EUA

O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou ontem uma “resposta simétrica” em relação ao recente teste de um míssil de médio alcance norte-americano, o primeiro desde o fim da Guerra Fria.

Putin anuncia "resposta simétrica" ao ensaio de míssil dos EUA
Fotografia: DR

“Ordenei aos ministérios russos da Defesa e dos Negócios Estrangeiros para analisarem o nível de ameaça criada pelos Estados Unidos, para que sejam tomadas medidas exaustivas no sentido da preparação de respostas simétricas”, disse Putin após uma reunião do Conselho de Segurança, em Moscovo.
Segundo o Pentágono, o teste militar norte-americano efectuado no domingo na ilha de San Nicolas, ao largo da Califórnia, ocorre um mês depois do fim do Tratado de Desarmamento (INF) que abolia o uso, por Washington e Moscovo, de mísseis terrestres com alcance entre os 500 e os 5.500 quilómetros.
Os Estados Unidos e a Rússia abandonaram o tratado depois de acusações mútuas sobre violações do acordo.
Além da Rússia, a República Popular da China condenou igualmente o ensaio norte-americano argumentando que pode “provocar a escalada das tensões militares” e o relançamento da corrida ao armamento.
“É evidente que (o ensaio do míssil norte-americano) não foi resultado de um improviso, mas sim de uma série de acontecimentos planificados há muito tempo”, acrescentou o Presidente russo.
“Este acontecimento confirma as nossas anteriores preocupações”, sublinhou Putin.
Mesmo assim, o Chefe de Estado disse que a Rússia “continua como sempre aberta ao diálogo construtivo com os Estados Unidos, a fim de restabelecer a confiança e garantir a segurança internacional”.
Com o fim do INF resta apenas um acordo bilateral sobre armas nucleares entre Moscovo e Washington: o Tratado START sobre arsenais nucleares que está em vigor até ao ano 2021.
O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Riabkov, disse que esses testes mostram que o Pentágono já vinha a desenvolver o novo míssil há muito tempo, pois é altamente improvável que em “tempo tão curto” os norte-americanos tenham preparado o teste.
O mais lamentável para o diplomata russo é que com isso Washington revela as intenções de “estender o potencial desestabilizador” a um campo que, até recentemente, era firmemente regulado, como o dos mísseis terrestres de médio alcance. A situação é simplesmente “lamentável”, disse Riabkov. Tudo isso demonstra que a Casa Branca preparou com muita antecedência a renúncia ao tratado INF, tanto no aspecto propagandístico quanto no militar e técnico, afirmou.
O Governante ressaltou que Putin reiterou, durante a visita em França, na segunda-feira que a Rússia não vai lançar mísseis de médio alcance enquanto Washington não o fizer.
O teste realizou-se na costa da Califórnia, segundo o Pentágono, que afirmou que se trata de uma “variante do míssil de cruzeiro de ataque terra-terra Tomahawk”. O INF não proibia o desenvolvimento e o uso de mísseis de médio alcance lançados de embarcações ou aeronaves.

Conter a China

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Mark Esper, deu a entender que o teste tinha como objectivo conter o crescente arsenal de mísseis de alcance intermédio da China.
O tratado de controlo das armas nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia expirou no dia 2 de Agosto. Em entrevista à Fox News, na quarta-feira, Esper descreveu que, em termos de prioridade, a China é mais importante para o Departamento de Defesa americano do que a Rússia a longo prazo, levando-se em consideração o poderio económico e as ambições de Pequim. Mark Esper disse: “Nós queremos assegurar que podemos deter o mau comportamento chinês por meio da nossa própria capacidade de atacar em alcances intermediários.”
Os Estados Unidos têm minimizado os recentes testes de mísseis de curto alcance da Coreia do Norte. Esper explicou que mísseis de longo alcance são muito preocupantes, acrescentando “ser necessário que Washington enxergue um panorama mais amplo”.

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