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Putin convida Trump a visitar Rússia em 2020

O Presidente russo, Vladimir Putin, convidou hoje o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, para uma visita à Rússia em Maio de 2020 para as celebrações do 75º aniversário da vitória sobre Hitler, declarou o conselheiro do Kremlin Yuri Ushakov.

Putin convida homólogo americano para a Rússia em 2020
Fotografia: DR

“Convidámos o Presidente norte-americano para nos visitar para o 75º aniversário da Vitória” na II Guerra Mundial “a 9 de Maio do próximo ano”, indicou Ushakov à televisão russa Rocia 24.
Donald Trump, que se encontrou com Vladimir Putin à margem da Cimeira do G20 em Osaka, no Japão, reagiu positivamente ao convite.
No início das discussões bilaterais, o Presidente norte-americano louvou as “muito boas relações” com Putin, numa altura em que Washington e Moscovo enfrentam uma crise diplomática devido, nomeadamente, a divergências sobre a Síria e a Ucrânia, assim como a suspeitas de ingerência russa nas eleições dos Estados Unidos.
Os dois dirigentes não estavam juntos desde a primeira cimeira entre ambos em Helsínquia, Finlândia, em Julho de 2018, que suscitou uma controvérsia, com Trump a ser criticado nos Estados Unidos pela atitude em relação a Putin, considerada demasiado conciliatória.
Os Presidentes falaram aos jornalistas antes do encontro bilateral e, na ocasião, um jornalista perguntou a Trump: “senhor Presidente, vai dizer à Rússia para não interferir nas eleições de 2020?” “Claro que sim”, responde Donald Trump. E, virando-se para Vladimir Putin, o Presidente americano aponta o dedo e afirma: “Por favor, não interfiram nas eleições. Não interfiram nas eleições.” Assim mesmo, duas vezes.
Este foi o primeiro encontro entre Trump e Putin depois da divulgação do relatório do procurador especial Robert Mueller sobre a alegada ingerência russa nas presidenciais americanas de 2016 e um potencial conluio com a campanha de Trump. Os serviços secretos americanos concluíram que a Rússia esteve por detrás de um esforço para influenciar o resultado das eleições a favor do candidato republicano por meio de ataques informáticos e da distribuição de notícias falsas nas redes sociais.
Após dois anos de investigação, o relatório de Mueller conclui no entanto não ter encontrado provas de uma conspiração criminosa entre a campanha de Trump e Moscovo para influenciar o resultado das presidenciais.
Enquanto Trump lhe apontava o dedo em tom de brincadeira, Putin, sentado ao lado do Presidente americano, sorria. O dirigente russo mostrou-se reservado sobre o teor da discussão que iam ter, afirmando apenas que tinham “coisas para falar.”
Trump tem sido acusado pelos críticos de ser demasiado amigável com Putin, sobretudo depois de não ter confrontado o Presidente russo - pelo menos em público - durante a cimeira entre os dois há um ano na Finlândia. Na altura, e apesar das provas de ingerência russa apresentadas pelos serviços secretos, o Presidente norte-americano afirmara aos media que “se o Presidente Putin diz que não foi a Rússia, não vejo porque havia de ter sido.”
Liberalismo é “obsoleto”
Numa entrevista publicada ontem pelo diário britânico Financial Times, Putin garante que ideias como o multilateralismo “já não são viáveis.” E sublinhou que o liberalismo, a ideologia que durante décadas, desde o fim da II Guerra Mundial, regeu as democracias ocidentais, é “obsoleto.” “Os liberais não podem, simplesmente, impor as suas ideias aos outros”, afirmou o Presidente russo.
Putin, que falou antes de viajar ao Japão, explicou que o liberalismo deixa de fazer sentido num momento em que a opinião pública se vira contra a imigração, as fronteiras abertas e o multiculturalismo.
Para o líder russo, o unilateralismo americano é, contudo, em parte, culpado pela guerra comercial entre a China e os EUA e pelas tensões com o Irão no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.
As palavras duras de Putin já tiveram uma resposta de Donald Tusk. O presidente do Conselho Europeu discorda “veementemente” dos sentimentos do líder russo em relação ao liberalismo. “Quem afirma que a democracia é obsoleta afirma também que as liberdades são obsoletas, o Estado de direito é obsoleto e que os direitos humanos são obsoletos”, sublinhou o polaco.
Relação tensa
Nos últimos anos, as relações entre os EUA e a Rússia têm sido tensas, piorando depois da anexação da Crimeia pelos russos em 2014 e com o apoio de Moscovo ao Presidente Bashar al-Assad na Síria. O próprio Putin admitiu numa recente entrevista que as relações entre Moscovo e Washington “vão de mal a pior.”

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