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Putin disponível para negociar controlo de armas com os EUA

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem que quer relações amistosas com os EUA e que está disponível para voltar a negociar acordos de controlo de armas com Washington.

Vladimir Putin adverte os Estados Unidos e aliados sibre os planos de instalação de mísseis estratégicos na Europa
Fotografia: Dr

No discurso anual do estado da nação, no Parlamento russo, Putin esclareceu que não quer confrontos com os EUA e que espera reatar o “bom relacionamento” com o Governo norte-americano, de acordo com a agência Lusa.
Em Janeiro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o abandono do tratado de mísseis de curto e médio alcance assinado em 1987, por considerar que Moscovo não respeitava o acordo.
Logo de seguida, Vladimir Putin disse que a Federação da Rússia também saía do tratado e considerou infrutíferas as negociações para tentar recuperar os termos do entendimento.
No discurso de ontem sobre o estado da nação, Putin mostrou-se disponível para voltar às negociações sobre o controlo de armamento, apesar de ter voltado a dizer que os EUA têm uma “política destrutiva”, quando atacam a Rússia com sanções.

Mísseis na Europa
Vladimir Putin advertiu ontem os Estados Unidos que, no caso da instalação de mísseis na Europa, Moscovo responderá “imediatamente” apontando o seu armamento não só às nações europeias, mas também aos “centros de tomada de decisão.”
“A Rússia será obrigada a fabricar e instalar armas que podem ser usadas não só contra os territórios em que se origina a ameaça directa, mas também contra os territórios onde se encontram os centros de tomada de decisão para o emprego de sistemas de mísseis que nos ameaçam”, disse.
“Nós sabemos como fazer isso e vamos executar esses planos assim que a ameaça se tornar real”, afirmou durante o discurso sobre o estado na nação.
O líder russo ressaltou que as medidas serão tanto “simétricas como assimétricas”, já que alguns dos mísseis que Washington poderia instalar na Europa têm um tempo de voo de 10 a 12 minutos até Moscovo.
“Esta é uma ameaça muito grande para nós, o que agravaria drasticamente a situação no campo da segurança internacional”, afirmou.
O Presidente russo declarou que, em qualquer caso, Moscovo “não tem intenção, e isso é muito importante, de ser o primeiro a implantar tais mísseis na Europa.”
Vladimir Putin também acusou os Estados Unidos de usarem “acusações imaginárias” para motivar a sua saída do tratado nuclear INF, o que levou a Rússia a suspender a sua participação no acordo e a desenvolver novas armas. “Os nossos parceiros americanos deveriam ter dito honestamente, em vez de usar acusações imaginárias contra a Rússia para motivar a sua saída unilateral do acordo”, disse Putin.
O Presidente russo anunciou na ocasião que a Rússia vai encomendar um novo míssil hipersónico para a sua marinha, como parte de um plano em andamento para modernizar as capacidades militares e esforços para combater o que descreveu como movimentos hostis dos Estados Unidos.
O novo míssil, que se denominará Zircon, voará a uma velocidade nove vezes superior à do som e terá um alcance de 1.000 quilómetros, acrescentou.

Melhoria do nível de vida para os cidadãos

O Presidente russo prometeu, ontem, em Moscovo, que os russos vão sentir já este ano melhorias no nível de vida.
Putin, que falava no Parlamento, no discurso anual sobre o estado da nação, sa-lientou que a Rússia precisa de concentrar-se em elevar o padrão de vida.
“Não devemos esperar, mas melhorar a situação agora (...) Este ano, (os russos) devem sentir uma melhoria”, afirmou Putin perante deputados e altos funcionários russos.
Vladimir Putin apresentou como uma das primeiras medidas do seu Governo o aumento dos pagamentos sociais para apoiar as famílias jovens.
“Em cinco anos, cerca de nove milhões de pessoas irão se beneficiar desses apoios”, disse ainda.
O Presidente russo prometeu ainda reduções fiscais, taxas de hipoteca mais baixas e subsídios de moradia para famílias com vários filhos.
“Mais crianças, menos impostos”, afirmou Vladimir Putin, num cenário de declínio real dos rendimentos, que atinge a população há cinco anos, e com um aumento do IVA desde 1 de Janeiro.
Putin declarou também que a carga fiscal sobre os construtores será facilitada para os incentivar a expandir a construção de casas.
O líder russo também enfatizou a necessidade de combater-se a pobreza, dizendo que 19 milhões dos cerca de 147 milhões de habitantes da Rússia vivem abaixo da linha oficial da pobreza, actualmente o equivalente a cerca de 160 dólares (141 euros) por mês.
O Presidente russo, cujo índice de popularidade tem sofrido uma queda acentuada, falou particularmente da política interna na sua intervenção.
O discurso do Presidente russo aos parlamentares é o primeiro desde a sua reeleição em Março de 2018, para um quarto mandato que termina em 2024 e que deve ser o seu último de acordo com a Constituição.
O Governo divulgou no início de Fevereiro o seu plano de mais de 340 mil mi-lhões de euros para alcançar os seus objectivos económicos e apoiar o crescimento do produto interno bruto (PIB) que deve desacelerar este ano.

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