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RDC: Sylvestre Ilunga Ilunkamba nomeado Primeiro-Ministro

Victor Carvalho

Depois de mais de quatro meses da realização das últimas eleições, eis que a RDC já tem um novo Primeiro-Ministro. Trata-se de Sylvestre Ilunga Ilunkamba, que foi oficialmente nomeado hoje pelo Presidente Félix Tshisekedi para dirigir o futuro Governo.

Fotografia: DR

Com uma ampla maioria no Parlemento, Joseph Kabila manteve um braço de ferro com Tshisekedi para escolher um líder do Governo que não representasse, claramente, uma ruptura com um passado recente.
Sucessivamente, os nomes propostos por Kabila, através da Frente Comum pelo Congo, iam sendo rejeitados pelo Presidente Tshisekedi que pretendia nomear uma personalidade menos identificada com um passado que muitos dos congoleses querem esquecer.
Até que, finalmente no fim-de-semana mas em grande segredo, de acordo com uma fonte diplomática acreditada em Kisnhasa, Joseph Kabila e Félix Tshisekedi chegaram à conclusão que a melhor escolha seria a de Sylvestre Ilunga Ilunkamba, membro do Partido Para a Reconstrução da Democracia, a que pertence o Presidente da República.
“Considero a minha nomeação uma enorme responsabilidade neste momento crucial da história do país”, disse o novo Primeiro-Mministro através da televisão congolesa, escassos minutos depois da escolha ter sido tornada pública.
Originário da ex-província do Katanga, Sylvestre Ilunga Ilunkamba ocupou anteriormente diferentes cargos governamentais, entre eles o de vice-ministro da Economia, Indústria e Comércio Externo de 1981 a 1983 e de vice-ministro do Plano entre 1983 e 1984.
Conselheiro principal da Presidência da República em matéria económica e financeira, entre 1986 e 1987, foi depois ministro do Plano, em 1990, e ministro das Finanças, em 2003.
Actualmente, Sylvestre Ilunga Ilunkamba desempenhava as funções de director-geral da Sociedade Nacional dos Caminhos de Ferro do Congo.

Moise Katumbi deixa exílio e regressa ao país

Como havia prometido no início do mês, o empresário e líder político Moise Katumbi regressou ontem ao fim da manhã à RDC depois de um exílio forçado, a maior parte do tempo passado em Bruxelas, devendo ainda esta semana ser recebido em Kinshasa pelo Presidente da República.
O regresso de Moise Katumbi, inserido no projecto de reconciliação nacional recentemente anunciado pelo Presidente Félix Tshisekedi, acontece precisamente no mesmo dia em que há três anos foi obrigado a fugir do país para escapar a processos judiciais por burla agravada e por atentar contra a segurança do Estado, crimes esses de que foi totalmente ilibado no início deste mês. Tal como havia na altura prometido à imprensa, desde Bruxelas, Moise Katumbi reentrou no país, depois de uma escala em Lusaka, através do Aeroporto de Lubumbashi, no Alto Katanga, onde desempenhou as funções de governador.
No aeroporto, Katumbi foi recebido por uma enorme multidão de apoiantes e também por representantes, entre outros, de Martin Fayuku e de Jean-Pierre Bemba, líderes da coligação Lamuka que concorreu às eleições de 30 de Dezembro último e da qual ele foi coordenador, mesmo estando no estrangeiro.
Depois de ter apoiado a candidatura de Martin Fayulu nas últimas eleições, Moise Katumbi felicitou recentemente o Presidente Félix Tshisekedi pelo triunfo nas presidenciais, destacando como principais feitos conseguidos pelo novo Presidente da Repúblicas a libertação de todos os presos políticos e a promoção da abertura para a liberdade de expressão.
Actualmente, este político congolês define-se como um opositor à coligação formada pelas forças políticas que apoiam Félix Tshisekedi e Joseph Kabila, por considerar que “ela não traz nada de bom para o país.”
Outro líder da oposição, Jean-Pierre Bemba, é esperado também na RDC depois de a Justiça ter levantado todos os processos judiciais que pendiam sobre si. Na semana passada, Sindika Dokolo, também ele membro da oposição, regressou ao país e manteve um encontro com Félix Tshisekedi.

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