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Região do Príncipe está em período de transição

O presidente cessante do Governo Regional do Príncipe defendeu, ontem, a forma como decorreu a transição de poder e mostrou-se confiante no futuro da ilha, numa mensagem de despedida, após mais de uma década no cargo.

Depois de mais de uma década, a região autonoma da ilha de Príncipe troca de liderança
Fotografia: DR


“O processo de transição na Ilha mesmo comportando incompreensões em alguns aspectos, dúvidas e indecisões, foi pensado e feito sob desígnio imperioso da estabilidade política e governativa”, defendeu José Cassandra, citado pela Lusa.
Em Novembro do ano passado, Filipe Nascimento foi eleito no congresso da União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP) como líder deste movimento que tem liderado o Governo da Região Autónoma do Príncipe nos últimos 14 anos.

O congresso de Novembro alterou os estatutos do movimento, estabelecendo que seis meses após a eleição, o novo presidente deve assumir a liderança do Governo Regional - prazo que foi, entretanto, ultrapassado devido à pandemia da Covid-19.
“Num país ou região com carências de recursos de ordem diversa, o sistema partidário e/ou político não pode dar-se ao luxo de voluntária e egoisticamente, somar mais problemas aos que já existem”, acrescentou Cassandra.
O presidente do Governo Regional cessante despediu-se, ontem, publicamente dos principenses com a convicção de deixar uma ilha mais confiante, esperançosa e aberta ao mundo.

“Temos, hoje, sem dúvidas nenhumas, passados estes anos, um Príncipe mais confiante e menos titubeante, mais esperançoso e menos céptico, mais aberto ao mun-do e menos escondido, mais assertivo e menos contestatário e, sobretudo, quem sabe perfeitamente, onde está e para onde quer ir. Este é o maior contributo que demos à região e ao país, como entidade insular e arquipelágica, nestes últimos anos”, escreveu na rede social Facebook.

Na hora da saída, José Cassandra manifestou-se honrado por ter liderado os destinos da ilha, atribuindo os sucessos da sua governação a um esforço colectivo. “Não posso deixar de agradecer a todas as pessoas que deram o seu contributo para a transformação paulatina do Príncipe, colocando, cada uma delas, a sua 'pedrinha' no projecto ambicioso que pretendemos realizar na região”, escreveu na página do Governo Regional.
“Tudo aquilo que conseguimos, nesta quase década e meia, é fruto do empenho, energia e trabalho de centenas ou milhares de pessoas do contexto regional, nacional e mesmo internacional”, disse.

Exemplos de “boa governação”

Como exemplos, apontou a captação de investimento directo estrangeiro, a apresentação da candidatura e integração do Príncipe como Re-
serva da Biosfera da UNESCO ou a realização de grandes eventos como a comemoração do centenário da comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein.

Na mesma mensagem, Cassandra desejou sucesso a Filipe Nascimento, considerando que “o seu sucesso será sinal do sucesso do Príncipe. A sua escolha, pelos membros e simpatizantes da UMPP, para dirigir o movimento e os destinos do Príncipe nos próximos tempos é sinal de grande ma-turidade política e responsabilidade”, afirmou.
Filipe Nascimento é um jovem quadro natural de Príncipe, de ascendência cabo-verdiana e formado em Direito em Portugal, que durante vários anos trabalhou na Câmara Municipal de Oeiras.

A eleição de Filipe Nascimento para sucessor de Cassandra à frente do Governo da ilha do Príncipe abriu caminho a especulações sobre uma eventual candidatura às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe de 2021, algo que Cassandra já rejeitou. “Não tenho planos, pessoalmente, nenhuns ou pretensões nenhumas de concorrer à Presidência da República”, disse por altura do anúncio da saída, em Junho.
No meio do seu quarto mandato, José Cardoso Cassandra teve de se demitir do cargo para permitir a nomeação do sucessor. Como presidente da UMPP, Filipe do Nascimento era o virtual presidente do Go-verno Regional, mas o líder do Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP), Nestor Umbelina, opõe-se à sua nomeação alegando inconstitucionalidade.

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