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Renamo denuncia violações e militares elegem novo líder

A Renamo, principal partido da oposição, denunciou, sexta-feira, actos de violência, que supostamente ocorreram, após a assinatura, no dia 6, do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, enquanto a auto-proclamada “Junta Militar” deverá eleger hoje, em Gorongosa, uma nova direcção política, na sequência da contestação à liderança do actual presidente, Ossufo Momade.

O líder da Renamo, Ossufo Momade, assinou o acordo de paz com o Presidente Filipe Nyusi
Fotografia: DR

“Decorridos dois dias após a assinatura do Acordo de Paz e Reconciliação de Maputo, em vários pontos do país registam-se actos de violência e intolerância política”, disse o porta-voz da Renamo, José Manteigas, em conferência de imprensa, na capital moçambicana.
A oposição moçambicana acusa a Frelimo, partido no poder, a Polícia da República de Moçambique (PRM) e a Polícia comunitária de praticarem acções de “violência” e “intolerância política”.
José Manteigas apontou quatro casos que ocorreram nas províncias de Tete e Zambézia, no centro, e Inhambane e Gaza, na zona sul. “Em Tete, no povoação de Maflaucha, pela calada da noite, foram queimadas casas e outros bens pertencentes aos cidadãos Marcos Cangachipe Chissassa, Johane Langitoni Jovuyabema e José Ailaqui, todos membros da Renamo”, declarou o porta-voz daquele partido.
No dia 8 de Agosto de 2019, no distrito de Morrumbala, província da Zambézia, agentes da PRM e membros da Polícia comunitária “violentaram e espancaram membros e simpatizantes da Renamo, que aguardavam a chegada de uma brigada provincial”, referiu José Manteigas.
Para a Renamo, tais actos violam e colocam em causa o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado no dia 6 de Agosto. “Os moçambicanos começam a questionar a eficácia dos acordos e o compromisso da boa fé, pois, se antes das eleições há este tipo de comportamento, o que acontecerá durante a campanha eleitoral e no dia da votação?", questionou o porta-voz da Renamo.
A Renamo apelou aos moçambicanos, à comunidade internacional e ao Presidente da República, Filipe Nyusi, para que condenem todas as manifestações que coloquem em causa a paz.
“Denunciamos, publicamente, estes actos atentatórios à coabitação política e aproveitamos para exortar o Presidente da República a tomar todas as providências no sentido de pôr fim a essas atitudes”, concluiu a Renamo.
A auto-proclamada Junta Militar da Renamo está reunida em Gorongosa, no centro de Moçambique, onde deverá eleger ainda hoje um novo presidente do maior partido da oposição.
O braço armado da Renamo contesta a liderança de Ossufo Momade, que o major-general Mariano Nhongo acusa de estar ao serviço do Governo e de violar o espírito dos acordos de paz celebrados pelo líder histórico do partido opositor, Afonso Dhlakama, falecido em 2018.
No início do mês, o líder do braço armado da Renamo recusou entregar as armas no quadro do acordo de paz assinado com o Governo sem que seja eleito um novo presidente da formação política, o que o grupo pretende fazer na reunião de hoje.
O grupo exige a renúncia de Ossufo Momade, acusando-o de estar a “raptar e isolar” oficiais da Renamo que estiveram sempre ao lado do presidente do partido, Afonso Dhlakama, que morreu a 3 de Maio do ano passado.
Na quinta-feira, o presidente da Renamo considerou que as contestações à sua liderança resultam da acção de um “grupo de desertores indisciplinados”, destacando a importância da paz, após ter acordado com o Governo moçambicano o fim dos confrontos.
“Quando fomos ao congresso, abrimos espaço para que todos se candidatassem. O congresso elegeu Ossufo Momade. Não é através de um grupo de desertores indisciplinados que vamos definir a nossa linha”, disse o líder à imprensa após aterrar no Aeroporto Internacional de Maputo.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Ossufo Momade, assinaram, em 6 de Agosto, em Maputo, o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional.
O Governo moçambicano e a Renamo já assinaram em 1992 um Acordo Geral de Paz, que pôs termo a 16 anos de guerra civil, mas que foi violado entre 2013 e 2014 por confrontos armados entre as duas partes, devido a diferendos relacionados com as eleições gerais. Em 2014, as partes assinaram um outro acordo que também voltou a ser violado até à declaração de tréguas por tempo indeterminado em 2016.

 

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