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Rússia apresenta na ONU proposta para saída da crise

A Rússia prepara um projecto de resolução “conciliador” sobre a Venezuela para ser apresentado no Conselho de Segurança da ONU, disse ontem o responsável para a América Latina do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Alexander Schetinin.

Escassez de alimentos e outros bens põe em risco a vida de milhares de crianças venezuelanas
Fotografia: DR

“Propusemos um projecto que pode ser a base para o consenso ou, pelo menos, para obter uma grande parte dos apoios”, disse o diplomata, que não revelou o conteúdo do projecto, segundo a Lusa.
Schetinin explicou que os países estão actualmente a debater as várias propostas que serão submetidas ao Conselho de Segurança, incluindo uma norte-americana, que exige novas eleições na Venezuela.
A Rússia expressou o seu firme apoio ao Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, perante o apoio dos Estados Unidos, Canadá e da maioria dos países latino-americanos e europeus ao presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou Presidente da Venezuela a 23 de Janeiro.
Moscovo, um dos principais apoiantes de Maduro, juntamente com a China e a Turquia, rejeitou o apelo da Europa e dos Estados Unidos para Maduro convocar eleições.
Schetinin também denunciou a interferência externa nos assuntos internos da Venezuela, especialmente por parte dos Estados Unidos, país acusado de preparar uma violenta mudança de regime na nação latino-americana, e defendeu que são os próprios venezuelanos que devem resolver a crise.
A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de Janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro. Guaidó, como Presidente interino, recebeu o apoio de vários países, nomeadamente dos EUA, países europeus e latino-americanos.
Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo a ONU.

Ajuda humanitária
A ajuda humanitária para a Venezuela retida em Cúcuta (Colômbia) vai entrar em território venezuelano nos “próximos dias”, afirmou no domingo o líder do Parlamento e dirigente opositor Juan Guaidó.
“A ajuda está numa espécie de centros de armazenamento e esperamos que nos próximos dias tenhamos a entrada da primeira ajuda humanitária”, disse Guaidó a jornalistas depois de assistir a uma missa em Caracas.
Além de Cúcuta, a ajuda humanitária, enviada pelos Estados Unidos, deve começar a concentrar-se em armazéns, um no Brasil e outro numa ilha das Caraíbas ainda não determinada.
A ajuda, constituída por medicamentos e alimentos, deveria entrar na Venezuela pela ponte de Tienditas, uma infra-estrutura construída recentemente que une os dois países.
Contudo, a Guarda Nacional Bolivariana, polícia militarizada fiel ao Governo do Presidente Nicolás Maduro, bloqueou a ponte com atrelados de camiões e contentores.
Guaidó acusou Maduro de “se negar a reconhecer a crise que criou” e afirmou que, ao bloquear a ajuda, faz do Presidente e dos seus apoiantes “quase genocidas” que “assassinam por acção e por omissão”.
Os venezuelanos, disse, vão ter de trabalhar “duramente para que cesse a usurpação” da Presidência por Maduro e para “dar resposta à emergência humanitária”.
O presidente da Assembleia Nacional voltou a apelar aos militares, afirmando que “ninguém pode querer imolar-se para responder ao apelo de uma pessoa [Maduro] que perdeu o norte e que não tem apoio internacional”.

Fortalecer a soberania
O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, descreveu as manobras militares em curso no país como as mais importantes da história republicana, “pela situação de ameaça real do Governo de Donald Trump.”
O Chefe de Estado venezuelano liderou no domingo o início de exercícios militares focados em garantir a paz e a autodeterminação da nação.
“A situação actual obriga a prepararmo-nos para defender o direito do nosso país à dignidade, soberania e independência, para defender a coexistência no século XXI como uma nação livre”, disse.
Durante a abertura das manobras, Maduro confirmou que os exercícios recordam os 200 anos do Congresso de Angostura, no qual o herói nacional Simon Bolivar estabeleceu a doutrina da independência da República, para o futuro. O presidente felicitou também os soldados da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) pela sua dedicação à defesa do território.
“A Venezuela terá o direito de silenciar e ninguém deve tentar violar a sua soberania, porque você vai encontrar uma FANB totalmente preparada para defender a honra, dignidade e decoro”, disse.

 

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