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Rússia diz que EUA actua com “cinismo”

A Rússia considerou errada a retirada dos Estados Unidos do Conselho dos Direitos Humanos da ONU (CDH) e afirmou que a atitude revela um “grosseiro cinismo” e “desprezo” pelas Nações Unidas.

Guterres e Lavrov exortam Washington a recuar da decisão
Fotografia: DR

“Uma vez mais os Estados Unidos infligiram um grave golpe à sua reputação de defensores dos direitos humanos, demonstraram o seu desprezo (...) pela ONU e as suas estruturas”, declarou ontem em conferência de imprensa Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.
Zakharova denunciou o “grosseiro cinismo” dos nor-te-americanos que “recusam obstinadamente de reconhecer a existência de graves problemas para os direitos humanos no seu próprio país”, acusando-os de terem pretendido “moldar a estrutura do CDH segundo os seus interesses”.
O CDH “deve estar ao serviço de todos os Estados-membros, e não de um único país”, frisou a porta-voz que acrescentou que a retirada norte-americana “não foi uma surpresa” para a Rússia.
Ao acusar os Estados Unidos de “tentarem impor aos outros países do mundo uma versão particular dos americanos sobre os direitos humanos”, afirmou que o CDH já “trabalhou eficazmente” sem os Estados Unidos.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, mostrou-se confiante de que os Estados Unidos vão reconsiderar a sua saída do Conselho dos Direitos Humanos e rejeitou as acusações de que o órgão é hostil para com Israel.
“Esperamos que não se trate de uma decisão definitiva e que os Estados Unidos reafirmem o seu compromisso com a Organização das Nações Unidas (ONU), principalmente quando se trata de uma matéria de cooperação tão importante para eles como são os direitos humanos”, disse Lavrov numa reunião com o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em Moscovo.
O chefe da diplomacia russa rejeitou as declarações dos Estados Unidos sobre o Conselho de Segurança da ONU, em que acusam o organismo de “hipocrisia” e preconceito contra Israel.
“O Conselho de Segurança tem a obrigação de debater os relatórios do Secretário-Geral sobre a situação no Mé-dio Oriente”, explicou o ministro russo, sublinhando que as discussões, que se baseiam em decisões tomadas pelo Conselho no passado, estão em linha com os acontecimentos da região.
Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira a saída do Conselho de Direitos Humanos da ONU, invocando o precário registo de respeito pelos direitos humanos de países membros como a Chi-na, Venezuela, Cuba ou República Democrática do Congo e o suposto “preconceito crónico” contra Israel. O Conselho, com sede em Genebra, é formado por 47 países em sistema de rotação e com base numa distribuição geográfica equitativa, representada por cinco grupos regionais.
O grupo regional a que pertencia os Estado Unidos tem agora de propor uma substituição, segundo fontes diplomáticas.

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