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Rússia duvida de retirada norte-americana da Síria

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia considerou ontem que os Estados Unidos não estão a levar a sério a questão da retirada das suas tropas da Síria.

Anúncio de retirada surpreendeu aliados de Washington
Fotografia: DR

A porta-voz do Ministério, Maria Zakharova, disse aos jornalistas que parece a Moscovo que os Estados Unidos “estão a procurar uma razão para ficar” na Síria.
Zakharova indicou que a Rússia não ouviu ainda declarações públicas sobre a estratégia norte-americana na Síria, não podendo assim ter a certeza de que os Estados Unidos estão decididos a sair.
As declarações de Zakharova foram feitas pouco depois do porta-voz da coligação internacional anti-'jihadista' liderada pelos Estados Unidos ter indicado que as tropas deste país vão começar a retirada.
Num comunicado enviado à agência noticiosa norte-americana Associated Press, o coronel Sean Ryan refere que os Estados Unidos começaram “o processo de retirada deliberada da Síria”, recusando-se a dar mais pormenores por questões de segurança. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos disse, por seu turno, que a retirada dos militares norte-americanos começou na quinta-feira à noite, com a saída de cerca de 10 veículos blindados, além de camiões, da cidade de Rmeilan, no nordeste da Síria, em direcção ao Iraque.
Os Estados Unidos têm cerca de dois mil soldados na Síria e o anúncio da sua retirada feito em Dezembro pelo Presidente Donald Trump suscitou críticas dos aliados e levou à demissão do secretário da Defesa James Mattis.
Washington foi acusado de abandonar os seus aliados curdos, que apoiou no combate aos 'jihadistas', quando aqueles estavam sob ameaça de ataques da Turquia.
No domingo, o conselheiro para a segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, disse que as tropas não sairiam da Síria enquanto o grupo extremista Estado Islâmico não fosse derrotado e houvesse garantias de protecção dos aliados curdos, indicando um abrandamento na ordem inicial de Trump para uma retirada rápida. Os EUA intervêem militarmente na Síria desde 2014, no âmbito de uma coligação anti-jihadista.

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