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Rússia refuta acusações de travar acção de peritos

A Rússia rejeitou ontem acusações, segundo as quais Moscovo e Damasco estão a impedir os inspectores de armas químicas de entrar em Douma (Síria), contrapondo que os peritos estão à espera de uma autorização específica por parte da ONU.

 

Governo sírio informou que os peritos precisam de uma protecção das Nações Unidas
Fotografia: Reuteres

A declaração foi feita pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, que respondeu desta forma a informações que dão conta que a missão de inspectores da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) foi impedida de entrar na cidade de Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, para investigar o ataque químico que alegadamente atingiu aquela localidade no passado dia 7 deste mês.
“Rejeito completamente. Pois se trata de novas invenções por parte dos nossos colegas britânicos”, esclareceu o representante de Moscovo, argumentando que o acesso dos inspectores foi sim dificultado pelas consequências do ataque ilegal conduzido no sábado pelos Estados Unidos (EUA), com o apoio dos aliados França e Reino Unido, contra a Síria.
Sergei Ryabkov frisou ainda que a missão de peritos da OPAQ, que chegou à Síria na semana passada, não teve o acesso permitido porque ainda não garantiu uma autorização por parte do Departamento de Segurança e Protecção das Nações Unidas (UNDSS).
O presumível ataque químico em Douma terá provocado mais de 40 mortos e afectado cerca de 500 pessoas. O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, frisou que os acontecimentos em Douma pedem uma “investigação completa” e confirmou, na mesma ocasião, de que uma equipa de peritos da OPAQ já estava operacional no terreno para começar as investigações.
O Reino Unido acusou ontem a Rússia e a Síria de não permitirem à missão da OPAQ às zonas afectadas pelo ataque com armas químicas.

Aliados

“A França e os Estados Unidos estão em sintonia quanto ao envolvimento militar na Síria, que só termina no dia em que a guerra contra o Estado for concluída”, declarou ontem o Presidente francês, Emmanuel Macron. “Temos um único objectivo militar: a guerra contra o ISIS [acrónimo do grupo Estado Islâmico em inglês]”, afirmou Macron à saída de um encontro com a sua homóloga neo-zelandesa, Jacinda Arden, no Eliseu.
No domingo a Casa Branca anunciou, num comunicado, que as tropas norte-americanas na Síria deveriam regressar o “mais rápido possível”, algumas horas depois do Presidente francês afirmar que tinha convencido o homólogo dos Estados Unidos a permanecer na Síria, na sequência dos ataques conjuntos da madrugada de sábado contra alvos na Síria. No comunicado divulgado, a Casa Branca disse estar “determinada a esmagar completamente o grupo Estado Islâmico e a criar condições que impeçam o seu regresso”.

Posição da China

O Governo chinês pediu ontem aos Estados Unidos, França e Reino Unido que “aprendam com a História e evitem a repetição de tragédias do passado”, comparando o ataque conjunto contra a Síria à invasão do Iraque.
“Esquecemo-nos das lições do conflito no Iraque? Há que recordar as lições do passado”, afirmou a porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, em conferência de imprensa. “Alguns dirigentes destes três países (EUA, França e Reino Unido) afirmaram repetidamente que é provável que a Síria tenha usado armas químicas. Acreditamos que estes comunicados para criminalizar a Síria e justificar a sua acção militar carecem de legalidade e legitimidade”, disse a porta-voz.
Hua Chunying insistiu que a operação militar de sábado viola a Carta das Nações Unidas, já que “vai contra a lei internacional conduzir ataques punitivos contra a Síria”.
A China se opõe ao uso de armas químicas independentemente do propósito e em qualquer circunstância, por parte de qualquer país, organização e indivíduo. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que o “conflito na Síria só pode ser resolvido pela via política e que o uso da força apenas acrescenta incertezas à situação actual, como demonstram os ataques de sábado”.

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