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Russos elegem Presidente

Victor Carvalho

Mais de 100 milhões de russos elegem hoje o seu futuro Presidente, não se prevendo que nada de substancialmente novo suceda, uma vez que Vladimir Putin, a quem as sondagens atribuem mais de 80 por cento das intenções de voto, vai ser naturalmente reeleito para um quarto mandato.

Líder russo enfrenta hoje nas urnas sete candidatos, entre os quais está uma mulher
Fotografia: DR

Da longínqua Kamchatka, no Leste, ao enclave de Kaliningrado, a Oeste, cerca de 107 milhões de eleitores do imenso país com 11 fusos horários vão começar a votar às  8 horas locais, ainda ontem à noite em Angola. As últimas assembleias de voto devem encerrar às 19 horas de hoje (hora de Angola).
Com Vladimir Putin vão estar nos boletins de voto mais sete personalidades, havendo a salientar a ausência do principal líder da oposição, Alexei Navalny, de 41 anos, que viu a sua candidatura chumbada pelo tribunal, devido a uma conde-nação anterior.
Vladimir Putin foi Presidente da Federação Russa entre 2000 e 2008, em dois mandatos de quatro anos, ocupando neste momento o cargo desde 2012.
No actual formato, o mandato é de seis anos, após uma mudança legislativa realizada em 2008. Ele é frequentemente retratado de forma superficial. A sua imagem cultivada com fotos exibindo feitos desportivos ou físicos contribuem para isso.
Também é por vezes apresentado pela propaganda dos seus inimigos como uma mera actualização do “perigo vermelho”, resíduo ideológico da Guerra Fria, que vêem em Vladimir Putin um russo expansionista e violento, aos moldes de um vilão dos filmes de 007. Nesse contexto, evoca-se o seu currículo de dezasseis anos no Comité de Segurança de Estado, o serviço de inteligência soviético mais conhecido pela sigla KGB.
O actual Chefe de Estado da Rússia, de 65 anos, foi eleito Presidente pela primeira vez no ano 2000. Cumpriu dois mandatos de quatro anos até 2008, antes de passar a ser primeiro-ministro devido à regra da limitação de mandatos consecutivos.
Nesse interregno de quatro anos, continuou a ser a figura mais influente do país na política e nos negócios, já que na Presidência estava um dos seus mais antigos aliados, Dmitry Medvedev.
Antes de ceder novamente a Presidência a Vladimir Putin, em 2012, Dmitry Medvedev iniciou alterações constitucionais para alargar o mandato presidencial para seis anos. O limite legal de dois mandatos presidenciais consecutivos significa que Vladimir Putin não poderá concorrer novamente em 2024.
Devido à ausência na corrida de Alexei Navalny, a principal rival de Vladimir Putin deverá ser a apresentadora de televisão Ksenia Sobchak. Filha de um dos antigos mentores de Vladimir Putin, um presidente de câmara reformista de São Petersburgo, Ksenia Sobchak tem vindo a atacar as políticas do Kremlin, mas evitando fazer críticas pessoais ao Presidente. Os observadores ouvidos pela agência Associated Press indicam que a entrada de Ksenia Sobchak na corrida ajudará a combater a apatia dos eleitores, já que se trata de uma figura muito popular no país.

Desafios internacionais

Estas eleições presidenciais ocorrem num momento particularmente difícil para a afirmação da Rússia a nível do contexto internacional.
Muito recentemente, o país viu-se envolvido num caso de suspeita de ter estado por detrás de um atentado em Londres, por envenenamento, contra um ex-espião que estaria também a trabalhar com os serviços de inteligência do Reino Unido.
Por força desse incidente, cujas responsabilidades ainda não estão verdadeiramente apuradas, o Governo britânico decidiu expulsar mais de vinte diplomatas acreditados no seu país, tendo as autoridades de Moscovo ameaçado retorquir na mesma moeda, admitindo a possibilidade de também expulsar um número não determinado de diplomatas ingleses.
Também relacionado com isso, os governos de Washington e Paris colocaram-se ao lado do Reino Unido na condenação a Moscovo por um caso a que ainda não está provado que lhe possam ser imputadas responsabilidades. Ainda a nível internacional, a Federação Russa está do outro lado da barricada no que respeita à situação que prevalece na Síria.
Ontem, quando muitos russos já estavam a votar, o Governo russo anunciou a expulsão de 23 diplomatas britânicos do país.
De acordo com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, esta decisão surge em retaliação à expulsão de 23 diplomatas russos que estavam no Reino Unido.

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