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Saída da UE sem acordo “cada vez mais provável”

A Primeira-Ministra britânica, Theresa May, enfrentou ontem os restantes membros do Governo na reunião do Conselho de Ministros, no meio de especulação de que o seu lugar está por um fio. Porém, na semana que deveria ter sido a do Brexit, inicialmente previsto para 29 de Março mas entretanto adiado para pelo menos 12 de Abril, os desafios de May serão diários.

Especulações indicam que o Governo da Primeira-Ministra Theresa May está no fim
Fotografia: DR

O Conselho de Ministros de ontem antecede um debate e votação no Parlamento, no qual os deputados podem voltar a tomar as rédeas da discussão do Brexit. Isto depois de May ter sido obrigada a pedir à União Europeia uma extensão do prazo do Artigo 50, visto não ter conseguido que os deputados aprovassem o acordo que negociou com Bruxelas, culpando os membros da Câmara dos Comuns por esse adiamento.
A Primeira-Ministra está sob pressão para indicar uma eventual data para a sua saída do cargo. No domingo, para tentar acalmar a situação, a Primeira-Ministra reuniu na casa de campo de Chequers alguns dos principais críticos. Entre eles, o ex-chefe da diplomacia Boris Johnson, o líder dos conservadores eurocépticos do European Research Group, Jacob Rees-Mogg, e o ex-ministro do Brexit, David Davis. Estes terão alegadamente tentado negociar o apoio deles ao acordo, em troca de uma demissão de May.
Segundo o jornalista Robert Peston, da ITV, a Primeira-Ministra terá admitido que se demite se os deputados voltarem a rejeitar o acordo.
A Primeira-Ministra terá que tentar ainda esta semana que os deputados aprovem o acordo de Brexit, numa terceira votação vinculativa, dado que a União Europeia só lhe deu até 12 de Abril para dizer qual a solução que propõe.

Semana complicada

Ontem: Depois do Conselho de Ministros, o debate do Brexit voltou ao Parlamento. Os deputados propuseram várias emendas ao texto inócuo apresentado por May, entre as quais uma que pede a realização de votos indicativos sobre o caminho a seguir.
Hoje: Espera-se que Theresa May possa voltar a apresentar ao Parlamento o seu plano, para o terceiro voto vinculativo, mas o Governo britânico tinha dito que só o faria quando tivesse a certeza de que tinha o apoio para ganhar - que ainda não tem. A Primeira-Ministra continua a tentar chegar a acordo com conservadores eurocépticos e os unionistas da Irlanda do Norte (DUP), que apoiam o Governo. />Amanhã: Caso tenha sido aprovada a emenda sobre os votos indicativos (na sema-na passada a ideia foi rejeitada por apenas dois votos), o dia será dedicado a esta discussão. Não se sabe quantos votos in-dicativos haverá, mas já se falou na existência de sete alternativas diferentes.
Caso May não tenha apresentado o plano para discussão e debate hoje, poderá fazê-lo na quinta-feira. Especialmente, se nenhum dos votos indicativos tiver garantido o consenso dos deputados.
Sexta-feira: Dentro da semana complicada de May, o dia em que supostamente deveria ocorrer o Brexit adivinha-se o mais calmo. Não há debate previsto no Parlamento britânico. Após a extensão do artigo 50 do Tratado de Lisboa, a saída do Reino Unido da União Europeia está prevista para 12 de Abril, podendo ser adiada até 22 de Maio (primeira data das eleições europeias) se o acordo de May for aprovado.
Já foram apresentadas seis, que vão desde o pedido de um segundo referendo, à permanência no mercado único.
A Comissão Europeia concluiu ontem os preparativos para um cenário de saída de-sordenada do Reino Unido da União Europeia (UE), visto que, segundo Bruxelas, essa perspectiva é "cada vez mais provável".
"Visto que é cada vez mais provável que o Reino Unido saia da União Europeia sem um acordo em 12 de Abril, a Comissão Europeia concluiu ontem os preparativos para esse cenário", anunciou o executivo comunitário, em comunicado.
Paralelamente, a Comissão continua a acompanhar os preparativos a nível das administrações e insta todos os cidadãos e empresas da UE a informarem-se sobre as consequências de um eventual cenário de ausência de acordo e a concluírem os seus preparativos para esta eventualidade.
“Embora o cenário de ausência de acordo não seja desejável, a UE está preparada para lhe fazer face”, ressalva a nota.

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