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Sánchez e Iglesias falham acordo para formar Governo

O Primeiro-Ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, foi incapaz de desbloquear o impasse nas negociações para a sua investidura como Chefe do Governo numa reunião realizada ontem com o líder do Unidas Podemos (extrema-esquerda), Pablo Iglesias.

Pedro Sánchez e Pablo Iglesias mantêm posições contrárias sobre a formação do Executivo
Fotografia: DR

No final do encontro, o PSOE (Partido Socialista Espanhol) e o Unidas Podemos responsabilizaram-se mutuamente pela falta de avanços para garantir a investidura de Pedro Sánchez como Primeiro-Ministro, numa sessão parlamentar que se vai realizar a partir do dia 22.
A falta de progressos para formar Governo, três meses depois das eleições de 28 de Abril, faz aumentar as possibilidades de que seja marcada uma nova consulta eleitoral.
Não quero “pensar que Iglesias queira impedir pela segunda vez que Espanha tenha um Governo de esquerdas”, disse no final da reunião a líder da bancada socialista no Parlamento, Adriana Lastra, numa alusão à falta de apoio do Unidas Podemos a um executivo liderado por Pedro Sánchez que poderia ter sido investido em 2016.
A dirigente socialista sublinhou que “não é certo” que Pedro Sánchez tenha dito a Pablo Iglesias que o PSOE tinha decidido avançar para novas eleições no caso do fracasso das negociações.
Fontes do Unidas Podemos tinham avançado que o Chefe do Governo tinha dito que preferia uma nova consulta eleitoral no caso de não ter os apoios suficientes. No final da reunião, Pablo Iglesias mostrou-se convencido de que Pedro Sánchez “mais cedo ou mais tarde rectificará” a sua posição e negociará um Governo de coligação com o Unidas Podemos.
O líder da extrema-es-querda espanhola disse esperar convencer ainda o PSOE a mudar de posição: “Nós temos flexibilizado a nossa posição”, afirmou.
“Temos a mão estendida e vamos continuar a tentar encontrar uma solução”, assegurou por sua vez Adriana Lastra, ao mesmo tempo que acusava o Unidas Podemos de dizer várias “falsidades” sobre a posição dos socialistas. />A chefe da bancada parlamentar do PSOE lamentou, entre outras coisas, que Iglesias, depois de uma reunião havida anteriormente com Sánchez, tenha dito que a primeira opção dos socialistas era o Cidadãos (direita-liberal) e o PP (Partido Popular, direita).
Os votos do Unidas Podemos são imprescindíveis à recondução de Pedro Sánchez como Chefe do Governo, depois de todos os partidos à direita do PSOE já terem confirmado que irão votar contra a investidura.
A formação de extrema-esquerda exige a entrada de dirigentes seus, como ministros, no futuro Governo espanhol, possibilidade que os socialistas recusam terminantemente, preferindo apenas o seu apoio parlamentar e avançando apenas com a eventual concessão de lugares intermédios de poder (secretarias de Estado e direcções-gerais).
A soma do PSOE (123) e do Unidas Podemos (42) fica 11 votos aquém da maioria absoluta (176) necessária para que Pedro Sánchez seja investido à primeira volta no Parlamento.
Mesmo com o apoio do Unidas Podemos, Sánchez terá de negociar o apoio de outros partidos ou, na pior das hipóteses, a sua abstenção numa segunda volta, quando apenas precisar da maioria dos votos expressos.
Nas legislativas realizadas em 28 de Abril último, os socialistas foram o partido mais votado, com quase 29 por cento dos votos, mas outros quatro partidos tiveram mais de 10 por cento, acentuando a grande fragmentação política do país.
O PSOE tem 123 deputados eleitos (28,68 por cento dos votos), o PP 66 (16,70 por cento), o Cidadãos 57 (15,86 por cento), a coligação Unidas Podemos 42 (14,31), o Vox (extrema-direita) 24 (10,26), tendo os restantes sido eleitos em listas de formações regionais, o que inclui partidos nacionalistas e independentistas.

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