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Sanções contra Teerão dividem membros da UE

A UE manifestou-se hoje contra a reposição de sanções ao Irão pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em vigor desde a manhã desta terça-feira, para pressionar as autoridades de Teerão pelo seu programa nuclear.

Donald Trump deixou claro que quem fizer negócios com Irão vai sofrer consequências
Fotografia: DR

O Estatuto de Bloqueio dos Estados-membros vai servir para “mitigar o impacto sobre os interesses das companhias da comunidade que fazem negócios legítimos com o Irão”. A declaração foi emitida no mesmo dia em que voltaram a entrar em vigor as sanções americanas contra o Irão.
A UE afirma que continua a apoiar integralmente a implementação do acordo nuclear internacional com o Irão, que prevê a retirada de sanções contra Teerão em troca de maior controlo sobre o programa nuclear do país. O Presidente dos EUA, Do-nald Trump, porém, abandonou o acordo, argumentando que ele era insuficiente para evitar o risco de que o Governo iraniano possua armas nucleares.
Já a UE argumenta que as relações com o Irão foram normalizadas com o pacto. Com o Estatuto de Bloqueio em vigor, empresas europeias podem contornar as sanções dos EUA, que não terão nenhum valor legal em tribunais do bloco. Além disso, a UE "proíbe" que pessoas do bloco cumprem as sanções americanas, a menos que sejam excepcionalmente autorizadas a agir assim pela Comissão Europeia.
A UE diz que está totalmente comprometida com a implementação total e efectiva do acordo, enquanto o Irão também respeitar os seus compromissos. Ao mes-mo tempo, sustenta que segue comprometida a manter a cooperação com os EUA, “que permanece como um aliado e parceiro chave”.
O bloco europeu ainda informa que trabalha em medidas concretas para garantir a sustentabilidade da cooperação com o Irão em sectores económicos importantes, como o  "bancário e financeiro, comércio e investimentos, petróleo e transportes".

Embargo
O embargo foi oficialmente reintroduzido pelo Presidente dos Estados Unidos, e vigora desde ontem.
De acordo com o Presidente Trump, o objectivo político de Washington é impor uma "máxima pressão económica" sobre Teerão.
Ainda ontem, o Chefe de Estado norte-americano avisou que, a partir desta altura quem fizer negócio com Irão não o fará com o seu país.
A medida surge meses depois de Washington ter  saído do acordo internacional nuclear com o Irão, assinado em 2015, e as sanções previstas no documento entraram em vigor a partir da meia-noite (hora local em Washington, 6h00 de ontem em Angola).
O acordo nuclear foi assinado em 2015 entre o Irão e o grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha). Neste caso, à excepção de Washington, os restantes continuam comprometidos com o protocolo, que previa o congelamento do programa nuclear iraniano em troca do levantamento de sanções económicas.
Em comunicado, o Presidente norte-americano reiterou que o acordo de 2015 foi "horrível e unilateral", salientando que o protocolo acabou por proporcionar ao Governo iraniano o dinheiro necessário para promover um clima de conflito no Médio Oriente.
"Instamos todas as nações a tomar medidas que deixem claro que o Governo iraniano enfrenta uma escolha: ou mudar o seu comportamento ameaçador, desestabilizador e a reintegrar-se na economia global, ou continuar num caminho de isolamento económico" frisou Trump.
O Presidente norte-americano advertiu  que aqueles que não abandonarem os laços económicos com o Irão “correm o risco de sofrer severas consequências” à luz das sanções agora repostas.
Trump reiterou igualmente a sua disponibilidade de firmar um novo acordo, “mais amplo”, com o Irão, um texto que não se limite ao programa nuclear iraniano.
“Estou aberto para alcançar um acordo mais amplo que aborde todo o conjunto de actividades malignas do Governo, incluindo o programa de mísseis balísticos e o apoio ao terrorismo”, disse Trump.
Antes da divulgação da  nota, o secretário de Estado Mike Pompeo, já tinha assegurado que as novas sanções  vão ser impostas de forma rigorosa e que serão mantidas até que o Governo iraniano altere a sua política.

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