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São Tomé e Príncipe : Moção de censura da ADI chumbada no Parlamento

O Parlamento são-tomense rejeitou, sexta-feira, ao final da tarde, a moção de censura apresentada por um grupo de 14 parlamentares da Acção Democrática Independente (ADI) contra o Governo do Primeiro-Ministro Jorge Bom Jesus.

Governo suportado pelo MLSTP-PSD diz defender estabilidade e consolidação da democracia
Fotografia: DR

Segundo a Lusa, na votação, a maioria parlamentar que sustenta o Governo, 23 deputados do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) e cinco da coligação PCD-UDD-MDFM, votaram contra. Da bancada da ADI, 24 deputados votaram a favor da queda do Governo, tendo Levy Nazaré, também da ADI, se juntado aos dois parlamentares do Movimento de Cidadãos Independentes (MCI) e votado pela abstenção.

O Primeiro-Ministro são-tomense considerou que a decisão “demonstra a vitalidade da democracia em São Tomé e Príncipe” e que a “prerrogativa” dos 14 membros do grupo parlamentar da ADI foi “extemporânea e inoportuna”. 

Jorge Bom Jesus lamentou que a iniciativa tenha tido lugar “à contra-corrente de todas as expectativas, numa postura política egocêntrica, precisamente no momento do debate e aprovação do Orçamento Geral do Estado rectificativo para 2020, no âmbito do plano de contingência e de retoma económica, perante a grave conjuntura de crise sanitária, social, económica, financeira aguda, provocada pela pandemia da Covid-19”.

De acordo com Jorge Bom Jesus, muitos cidadãos defendem que esta moção de censura revela que “os políticos são-tomenses não se entendem e não sabem o que querem para o país” e “para outros ainda é a imagem do país que fica beliscada”, considerando que “essa imagem é um valioso recurso para a captação de investimento estrangeiro”.

Para o líder da bancada parlamentar da ADI, “toda a gente saiu a ganhar” com o debate da moção de censura. O responsável reconheceu que o Governo “saiu fortificado” deste debate, mas mesmo assim “sai daqui com um cartão amarelo, com uma responsabilidade acrescida de prestar atenção aos casos de corrupção, melhorar a credibilidade das instituições e do próprio Estado perante os nossos parceiros”.

Abnildo de Oliveira referiu que a intenção era deixar cair o Governo “pela forma como tem conduzido os destinos do país, frustrando todas as expectativas criadas com as promessas feitas aquando da campanha eleitoral”. O líder da bancada da ADI lamentou “a forma ligeira e irresponsável” como o Governo tem gerido os assuntos estratégicos do país, citando, nesse âmbito, a reforma da justiça, a condução da política externa, infra-estruturação do país, condução isenta transparente e independente da comunicação social estatal”.

Concluiu que está disponível para “viabilizar e dar sustentabilidade parlamentar a um novo Governo do MLSTP-PSD para cumprir com a legislatura em nome da estabilidade e da consolidação da democracia no país, promovendo as reformas que se impõem neste sentido”.

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