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Secretária-adjunta de Estado deixa Administração Trump

A secretária-adjunta do Departamento de Estado norte-americano para os Assuntos Legislativos demitiu-se, ontem, em protesto contra a forma como o Presidente dos Estados Unidos tem gerido as manifestações anti-racismo no país.

Elizabeth Taylor afirma que os comentários e acções do Presidente em torno da injustiça social e dos negros “ferem” as suas convicções
Fotografia: DR


“Os comentários e as acções do Presidente em torno da injustiça racial e dos negros americanos contrariam drasticamente os meus valores e convicções fundamentais”, escreveu Mary Elizabeth Taylor na carta de demissão, citada pelo jornal “Washington Post”.

“Devo seguir os ditames da minha consciência e demitir-me do cargo de secretária de Estado adjunta para os Assuntos Legislativos”, acrescentou. Mary Elizabeth Taylor, uma norte-americana negra, de 30 anos, que estava na Administração Trump desde o primeiro dia, tendo trabalhado, inicialmente, na Casa Branca.
Antes de entrar para o Departamento de Estado, Taylor foi directora-adjunta de nomeações da Casa Branca, tendo ajudado no processo de confirmação no Senado de quase 400 nomeados por Trump.

Entre eles contam-se o juiz do Supremo Tribunal Neil Gorsuch, a directora da Agência Central de Informações (CIA), Gina Haspel, o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, e o secretário de Estado Mike Pompeo, que a nomeou para o seu Departamento.
Segundo o “Washington Post”, esta é a primeira demissão de funcionários de alto nível na Administração Trump, em resultado dos protestos raciais originados pelo homicídio do norte-americano negro George Floyd às mãos da Polícia, no final de Maio.

Pela forma como tem gerido os protestos, Donald Trump foi acusado de incitação à violência por vários críticos, incluindo o rival na corrida às próximas eleições presidenciais, Joe Biden.
Em 29 de Maio, a rede social Twitter também considerou apologia à violência uma mensagem difundida pelo Presidente dos Estados Unidos na qual ameaçou disparar contra as pessoas envolvidas nos protestos, em Minneapolis.

Na mensagem, Donald Trump chamou “bandidos” aos manifestantes, ameaçando: “Quando as pilhagens começam, começam os tiros”.
George Floyd, um negro norte-americano, de 46 anos, morreu, em 25 de Maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos, numa operação de detenção, apesar de dizer repetidamente que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de actos de pilhagem.

<\/scr"+"ipt>"); //]]>--> justify;">Pelosi contra retratos de líderes que apoiaram a escravatura

A líder da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse, ontem, que vai ordenar a remoção do Capitólio de retratos de homenagem a quatro antigos dirigentes que serviram na Confederação, noticiou a Lusa.

Numa carta enviada ao secretário do Congresso, Pelosi solicitou a remoção imediata de retratos que representam antigos líderes da Câmara de Representantes: Robert Hunter, da Virgínia, James Orr, da Carolina do Sul, e Howell Cobb e Charles Crisp, ambos da Geórgia. Alegando que os corredores do Capitólio são “o coração da democracia” dos EUA, Pelosi disse que não deve haver “espaço nos sagrados salões do Congresso, ou em qualquer lugar de honra, para homenagear homens que personificam o fanatismo violento e o racismo grotesco da Confederação”, referindo-se aos líderes do conjunto de Estados do sul que procuraram a secessão dos Estados Unidos, durante a Guerra Civil (1861-1865).

Pelosi lembrou que sexta-feira é o “Juneteenth”, o feriado que honra o dia em que, no ano de 1865, muitos afro-americanos conheceram o fim da escravidão, no final da Guerra Civil. A líder da Câmara dos Representantes disse que o “Juneteenth” é “uma bela e orgulhosa celebração da liberdade para os afro-americanos” e observou que, este ano, ocorre “durante um momento de extraordinária angústia nacional, enquanto se lamentam as centenas de negros americanos mortos por injustiça racial e brutalidade policial, incluindo George Floyd, Breonna Taylor, Ahmaud Arbery e muitos outros”.

Pelosi referia-se aos nomes de recentes vítimas de violência policial, que têm sido lembrados em manifestações globais contra o racismo, depois da morte de George Floyd, o norte-americano negro que morreu asfixiado, sob escolta policial, em Minneapolis, no passado dia 25.
James Orr, que foi líder da Câmara de Representantes, de 1857 a 1859, jurou no plenário do Congresso “preservar e perpetuar” a escravidão, a fim de “desfrutar da nossa propriedade em paz, sossego e segurança”, lembrou Pelosi na carta enviada ao secretário do Congresso.
No início deste mês, Pelosi pediu a remoção do Capitólio de estátuas de dirigentes da Confederação e a renomeação de bases militares dos EUA que homenageiam oficiais do Exército Confederado.

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