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Segundo ataque da semana contra Mocímboa da Praia

É a segunda invasão de uma vila por parte do movimento que há dois anos e meio aterroriza a região, depois de na segunda-feira terem ocupado durante quase todo o dia Mocímboa da Praia, uma das principais zonas urbanas de Cabo Delgado, fazendo um número de vítimas e prejuízos ainda por determinar.

Fotografia: DR

Mocímboa da Praia fica a cerca de 90 quilómetros a sul dos projectos de gás natural em construção na região, enquanto Quissanga situa-se a 200 quilómetros a sul, mais perto da capital provincial, Pemba.
Segundo a Lusa, desde a madrugada de ontem que parte da população daquela povoação costeira está a fugir de barco e a pé para o arquipélago das Quirimbas, nomeadamente, a ilha do Ibo, a 14 quilómetros, enquanto outras pessoas tentam chegar a Pemba, a menos de 100 quilómetros.
A caminhada, a pé, é possível na maré baixa, por entre o mangal que separa Ibo de Quissanga – e é no meio do mangal que há muita população escondida, segundo um relato, que dava conta de se avistar fumo sobre a vila, indiciando que havia infra-estruturas incendiadas.
Não houve indicação de vítimas porque, segundo moradores, todas as famílias colocaram-se em fuga aos primeiros sinais de invasão, ao ouvirem disparos na parte alta da vila, junto aos edifícios da administração. Alguns habitantes perderam contacto com crianças das respectivas famílias durante a fuga para os barcos durante a madrugada, como é o caso de uma mulher cujo relato à Lusa afirmava não saber de um sobrinho que tinha ao seu cuidado e que espera, também, ter escapado.
Há residentes que começaram a abandonar a vila ainda na terça-feira, referiu outro dos moradores. A região de Quissanga já tinha sido massacrada por ataques no final de Janeiro, levando à destruição de parte do Instituto Agrário de Bilibiza, gerido pela Fundação Aga Khan.
A província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos armados que organizações internacionais classificam como uma ameaça terrorista e que em dois anos e meio fez, pelo menos, 350 mortos além de 156.400 pessoas afectadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar casas e terras em busca de locais seguros.
A onda de violência nasceu em comunidades muçulmanas radicalizadas e cujos grupos incluem residentes que até hoje nunca fizeram reivindicações ou apresentaram um líder, salvo comunicados do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, mas cuja presença no terreno especialistas e autoridades consideram pouco credível.
Em Janeiro, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, referiu que o país vai precisar de apoio de outras organizações para acabar com os ataques armados no Norte. “Precisamos de comparticipação porque é um problema multinacional, então, a sua solução não vai depender só de Moçambique, mas estamos a trabalhar”, referiu.
A comunidade internacional tem-se mostrado disposta a ajudar, mas ainda nenhuma forma de cooperação foi concretizada, enquanto a violência continua.
A Amnistia Internacional considerou, ontem, que a violência em Mocímboa da Praia reflecte o “falhanço trágico” do Governo em controlar a situação nos últimos três anos, em que grupos armados têm atacado aquela região.
“Esta escalada violenta em Mocímboa da Praia é o culminar de um falhanço trágico do Governo moçambicano em proteger o povo nesta área volátil”, disse o vice-presidente da Amnistia Internacional (AI) para a África Austral, Muleya Mwananyanda.
De acordo com uma nota colocada no site da AI, “há quase três anos que grupos armados têm atacado os aldeões perto de Cabo Delgado, causando enorme sofrimento humano sem serem responsabilizados”.
Estes ataques, lê-se ainda na nota, são agravados “pelo facto de o Governo proibir jornalistas, investigadores e observadores estrangeiros de aceder à região”. AI conclui que “as autoridades têm de agir imediata e eficazmente para proteger toda a gente na região, incluindo aumentar as medidas de segurança legais, e lançar investigações para levar os suspeitos à Justiça”.

Confirmada prisão
para caso LAM

O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo condenou, ontem, o antigo presidente das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), António Pinto, e o antigo director financeiro da transportadora, Hélder Fumo, a 14 anos de prisão por peculato, noticiou a Lusa. No mesmo processo, o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo condenou Mia Temporário, directora da Executive, entidade gestora da Índico, revista de bordo da LAM, a 12 anos, também por peculato.
O tribunal condenou ainda os três ao pagamento de uma indemnização de 31 milhões de meticais (431,3 mil euros), divididos por um terço por cada arguido, ao Estado moçambicano. A Justiça deu como provado que António Pinto, Hélder Fumo e Mia Temporária desviaram 50 milhões de meticais (cerca de 718 mil euros), através de um contrato de prestação de serviços firmado entre a LAM e a Executive, que não chegaram a ser realizados.
Os advogados dos três arguidos asseguraram que vão recorrer da condenação.

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