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Senegal determina investigação de contratos de petróleo e gás

O ministro da Justiça do Senegal ordenou hoje "uma investigação completa" aos contratos de petróleo e gás referidos numa reportagem da BBC, que acusa o irmão do Presidente, Macky Sall, e a empresa BP de corrupção.

Contrato de petróleo e gás sob inquérito
Fotografia: DR

A Lusa cita um comunicado do Ministério da Justiça, evocando a circulação nas redes sociais de "um relatório da Inspecção Geral do Estado (IGE)", datado de Setembro de 2012, mas cuja autenticidade não foi comprovada.

O documento dá conta de irregularidades na atribuição de uma autorização de prospecção e exploração de dois campos de gás "offshore" à empresa Petro-Tim, uma sociedade do homem de negócios australiano/romeno Frank Timis, que está no centro de um escândalo que abalou o Senegal após a emissão de uma reportagem da BBC sobre o assunto a 3 de Junho.

De acordo com a cadeia de televisão britânica, esta empresa transferiu 250 mil dólares para o irmão do Presidente, Macky Sall, Aliou Sall, actual presidente de um fundo de depósitos público e de uma comuna nos arredores de Dakar.

Aliou Sall desmente acusações.

"Ansioso por esclarecer os senegaleses sobre a gestão dos recursos naturais", o ministro da Justiça, Malick Sall (não relacionado com o chefe de Estado) encarregou o procurador-geral de Dakar de abrir uma investigação completa sobre todos os factos alegados", adianta o comunicado do ministério.

A investigação diz respeito às alegações contidas "tanto no referido relatório como a outras denúncias relativas à gestão dos contratos petrolíferos", prossegue.

Em Junho de 2012, logo após a sua eleição, Macky Sall confirmou a decisão do seu antecessor, Abdoulaye Wade, de atribuir a exploração dos dois campos de petróleo e gás ao grupo de Frank Timis, evocando a continuidade dos compromissos do Estado.

Na reportagem, a BBC adianta ainda que a gigante BP comprou, em 2017, os direitos de exploração do grupo Frank Timis por 250 milhões de dólares.

A BP considerou esse valor "completamente fantasioso" e Macky Sall denunciou a reportagem como uma tentativa de "desestabilizar" o Senegal.

A Frente Nacional de Resistência (FRN), principal coligação da oposição, "convidou", na sexta-feira, os tribunais norte-americanos e britânicos a "assumirem o caso" por a BP ser uma empresa cotada em bolsa.

Dizendo que "nada espera" do Parlamento ou da justiça senegalesa, a FRN exige a demissão de Aliou Sall e a "desclassificação imediata do relatório da IGE".

Várias associações da sociedade civil convocaram os senegaleses para mostrarem o seu descontentamento no dia 14 de Junho em Dakar ou em outras cidades do país.

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